BRAVURA INDÔMITA (2010)

BRAVURA INDÔMITA (2010)

(True Grit)

2010 , 110 MIN.

16 anos

Gênero: Drama

Estréia: 14/12/2010

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Ethan Coen, Joel Coen

    Equipe técnica

    Roteiro: Charles Portis, Ethan Coen, Joel Coen

    Produção: Ethan Coen, Joel Coen, Scott Rudin

    Fotografia: Roger Deakins

    Trilha Sonora: Carter Burwell

    Estúdio: Mike Zoss Productions, Paramount Pictures, Scott Rudin Productions, Skydance Productions

    Distribuidora: Paramount Pictures Brasil

    Elenco

    Barry Pepper, Brandon Sanderson, Bruce Green, Candyce Hinkle, Dakin Matthews, David Lipman, Domhnall Gleeson, Don Pirl, Ed Corbin, Elizabeth Marvel, Hailee Steinfeld, Jake Walker, Jarlath Conroy, Jeff Bridges, Joe Stevens, Jonathan Joss, Josh Brolin, Leon Russom, Maggie A. Goodman, Matt Damon, Nicholas Sadler, Orlando Storm Smart, Paul Rae, Peter Leung, Roy Lee Jones, Ruben Nakai Campana, Scott Sowers, Ty Mitchell

  • Crítica

    09/02/2011 12h50

    A imprensa estadunidense tem destacado o bom desempenho de Bravura Indômita, dos irmãos Joel e Ethan Coen, nas salas de cinema no país. O motivo: o filme ultrapassou os US$ 150 milhões de bilheteria doméstica, um feito e tanto para um western, gênero considerado ultrapassado nos dias de hoje.

    A boa bilheteria do filme é um fato, mas nada que mereça ser tratado como improvável ou insólito. Os chamados westerns, faroestes, filme de caubói ou bang-bang reúnem um sem número de elementos que os tornaram tão peculiares a ponto de, ao longo do tempo, serem descritos como pertencentes a um gênero cinematográfico específico. Mas apesar de, invariavelmente, retratarem foras da lei, xerifes, vaqueiros, colonos, índios, desbravadores e justiceiros, os muitos westerns já realizados abarcam diversos gêneros, indo do drama à comédia. Pôquer de Sangue, por exemplo, do mesmo Henry Hathaway que assina a primeira versão de Bravura Indômita, é um suspense carregado de mistério. O que o difere de outro filme do gênero? Nada, a não ser o fato de ser ambientado no Velho Oeste.

    Talvez os faroestes já não causem interesse na audiência de hoje. Talvez a profusão de produções feitas – sob todas as abordagens possíveis – dê a sensação de que o gênero tenha se esgotado em si mesmo. Talvez. Essas ilações servem para justificar o pouco apelo dos westerns nos últimos anos. Deixando as inferências de lado, o fato é que uma história bem contada, com bons personagens, boas atuações, bons diálogos e bem dirigida ainda é capaz de atrair o público às salas de cinema, seja ela ambientada no Velho Oeste ou em qualquer outro lugar. É assim com o Bravura Indômita dos irmãos Coen.

    A produção é uma refilmagem do clássico homônimo de 1969, que rendeu um Oscar para John Wayne pelo papel do agente federal decadente Rooster Cogburn. Na versão atual é Jeff Bridges, vencedor do Oscar em 2010, quem dá vida ao personagem. Apesar de considerar Bridges um ator superior a Wayne - que levou o Oscar mais pela carreira do que pela atuação -, num comparativo quem leva a melhor é o eterno caubói John Wayne, cujo tipo é talhado para personagens do gênero.

    No filme, o beberrão Rooster Cogburn é contratado pela jovem Matie Ross (Hailee Steinfeld, muito elogia pela atuação, que considero apenas mediana) para ir atrás do criminoso que matou seu pai, Tom Chaney (interpretado sem muita convicção por Josh Brolin). Na perigosa cruzada atrás do bandido, eles contam ainda com a ajuda de Le Boeuf, um Texas Ranger corajoso e falastrão feito por Matt Damon, econômico e eficiente em sua atuação.

    Os Coen, fãs do livro de Charles Portis que serviu de base para ambos os filmes, decidiram fazer sua própria versão da história. Mas, na verdade, entre um filme e outro não há tantas diferenças assim. Quem espera ver uma releitura de Bravura Indômita sob o olhar peculiar dos irmãos, talvez se decepcione. As desigualdades entre os filmes dizem respeito basicamente à época em que foram feitos. Por exemplo, na versão atual temos uma perspectiva dos personagens mais realista. O tom é mais soturno, os personagens são sujos e mal asseados - uma pitada da verossimilhança estética dos spaguetti western não presente nos clássicos hollywoodianos do gênero.

    A primeira incursão dos Coen no western resulta num belo filme. A direção conscienciosa e eficiente dos irmãos aliada a uma fotografia primorosa (o filme concorre ao Oscar da categoria) presenteiam o espectador com imagens que se imprimem profundamente em nossas retinas e memórias afetivas, sem função meramente plástica e ornamental. Elas dialogam conosco, sugerem-nos coisas sobre as situações e personagens. Os diretores confiam nas imagens e se apoiam firmemente nelas. Sabem que são fundamentais para contar uma boa história.

    O ápice desse trabalho estético se dá na sequência final do filme, na qual Cogburn atravessas as planícies a cavalo levando a jovem Matie para ser socorrida. Deleite para os olhos e um espetáculo à parte.

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