Cartaz de Bright

BRIGHT

(Bright)

2018 , 117 MIN.

16 anos

Gênero: Ação

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • David Ayer

    Equipe técnica

    Roteiro: Max Landis

    Produção: Bryan Unkeless, David Ayer, Eric Newman

    Fotografia: Roman Vasyanov

    Trilha Sonora: David Sardy

    Estúdio: Clubhouse Pictures (II), netflix, Overbrook Entertainment

    Montador: Michael Tronick

    Distribuidora: netflix

    Elenco

    Aaron V. Williamson, Aileen Burdock, Alex Meraz, Andrea Navedo, Bertrand-Xavier Corbi, Bobby Naderi, Brad William Henke, Brandon Larracuente, Chelsea Rendon, Chris Browning, Daniel Moncada, Dawn Olivieri, Derek Graf, Édgar Ramírez, Elena Sanchez, Enrique Murciano, Hans Marrero, Happy Anderson, Ike Barinholtz, Isabella Sanchez, Jay Hernandez, Joel Edgerton, Joseph Piccuirro, Juanita DeSilva, Kenneth Choi, Kevin Vance, Laura Vallejo, Lucy Fry, Luis Moncada, Matt Gerald, Matt Weinglass, Mitch Craft, Nadia Gray, Natalie Camunas, Nea Dune, Noomi Rapace, Pleasant Wayne, Scarlet Spencer, Terrence Terrell, Tiffany Tynes, Veronica Ngo, Will Smith

  • Crítica

    21/12/2017 15h45

    Por Daniel Reininger

    Shadowrun é um dos mundos mais interessantes já criados. Um universo cyberpunk decadente, povoado por criaturas de fantasia, muita magia e monstros. Missões contra corporações e investigações funcionam muito bem nesse mundo. Talvez com esse cenário na cabeça, alguém decidiu fazer um filme com elementos reconhecíveis, Bright, e chamar Will Smith para atuar. Parecia uma boa ideia no papel.

    No papel, porque o potencial do longa é desperdiçado quase instantaneamente com personagens rasos, roteiro furado e narrativa apressada. Smith interpreta Daryl Ward, um policial de Los Angeles incomodado com o novo parceiro, Jakoby, um orc (Joel Edgerton) desprezado por humanos e odiado pela própria raça. Tudo piora quando eles encontram uma varinha mágica e um culto maligno.

    É verdade que Smith e Edgerton têm uma boa química na tela e a forma como precisam aprender a trabalhar juntos em um mundo que acha que orcs e humanos devem ser inimigos é bem interessante. Claro que Smith é o responsável pelo carisma da dupla, enquanto Edgerton entrega uma atuação mais intensa, mesmo debaixo de muita maquiagem.

    O roteiro parece querer lidar com questões de raça, gênero, desigualdade e brutalidade policial, mas são assuntos que logo ficam de lado, embora no começo o peso dado a esses elementos seja grande. Para quem não entendeu que se trata de um filme policial convencional, num mundo excepcional, faz parecer que o longa não sabia quais assuntos queria tratar. Entretanto, o longa não usa a fantasia como alegoria, muito pelo contrário, a fantasia é o elemento extra para deixar uma história convencional mais interessante.

    História que funcionaria muito bem se não fosse a pressa da narrativa. São muitos elementos a serem apresentados de uma vez e tentar jogar tudo no espectador nunca é uma boa ideia. Como consequência, temos um longa que poderia ser muito interessante e até se tornar um marco para o gênero, mas que na verdade se mostra raso e clichê.

    Boa parte dos problemas acontecem devido ao péssimo desenvolvimento de seus personagens secundários. Noomi Rapace (Prometheus) vive uma vilã imponente, líder dos elfos renegados Inferni, mas nada sabemos dela para justificar seus atos e ela logo se torna apenas uma antagonista caricata e sem profundidade.

    Edgar Ramirez sofre com o mesmo problema na pele de um elfo chamado Kandomere, agente de uma força-tarefa federal de magia. Além de suas roupas extravagantes, mal sabemos suas intenções e porque os inferni são tão perigosos para justificar uma caçada dessas.

    Só que a pior personagem é da atriz Lucy Fry como Tikka. Ela mal fala, é totalmente frágil, não consegue tomar as próprias decisões e a forma como é tratada pelos dois protagonistas é ridícula. Faltou dar voz a Tikka, transformá-la na terceira parte do grupo, a maga que ajuda os policiais e não a mocinha indefesa que acorda e salva tudo na hora certa apenas.

    Apesar disso, a produção tem um visual interessante. O uso de cores sóbrias e locações decadentes de Los Angeles ajudam a criar algo mais autêntico, especialmente quando vemos as pichações dos Orcs espalhadas pela cidade. As criaturas são interessantes e as lutas bem coreografadas na maioria das vezes. A Netflix usou seu orçamento de US $ 90 milhões para fazer algo realmente criativo.

    A questão é que David Ayer deveria ter usado o primeiro filme para apresentar o mundo, criar uma história menor, mais centrada na dupla de policiais e usar o tempo para desenvolver os personagens e seu mundo. Mas decidiu correr, apressar as coisas e entregar algo com qualidade duvidosa. Decisões erradas que o diretor parece ter mania de repetir.

    Bright poderia ter sido algo realmente especial, ainda mais por ser protagonizado por dois grandes atores como Will Smith e Joel Edgerton, que formam uma dupla convincente na tela. Sem falar que o universo de Bright permite tantas histórias, que é triste ver tudo isso desperdiçado para contar uma trama clichê e sem graça.

    Agora resta esperar que o filme seja um sucesso na Netflix e isso faça com que uma sequência ou uma série possam aprofundar esse mundo e explorar esses personagens de bastante potencial. Por enquanto, fica a tristeza de ver mais uma ideia ousada ser desperdiçada por causa de uma execução mal feita.

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