BUDAPESTE

BUDAPESTE

(Budapeste)

2008 , 113 MIN.

16 anos

Gênero: Drama

Estréia: 22/05/2009

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Walter Carvalho

    Equipe técnica

    Roteiro: Rita Buzzar

    Produção: Rita Buzzar

    Fotografia: Lula Buarque

    Elenco

    Antonie Kamerling, Gabriella Hármoni, Giovanna Antonelli, Ivo Canelas, Leonardo Medeiros, Nicolau Breyner

  • Crítica

    22/05/2009 00h00

    Chico Buarque sempre afirmou enxergar em Budapeste uma história de amor. Mesmo que o rigor formal do livro e os diversos personagens/ situações espelhos construídos tenham tanta força quanto o início do amor de um homem por uma mulher, por uma língua e uma cidade.

    Para o despertar de um amor, o primeiro componente é o cenário. "Eu pensava que a cidade fosse cinzenta, mas não: Budapeste é amarela!". A câmera faz um movimento panorâmico que confirma exatamente o choque do personagem José Costa (Leonardo Medeiros) com a capital da Hungria. A língua é o passaporte e a mulher o objetivo do contato. Cenário composto.

    Na literatura, Chico vai fundo na forma. No cinema, Budapeste encontra seu primor quando mostra o meio do caminho, o contato do protagonista com sua musa, Kriska (Gabriela Hármori, do impronunciável Állísátok meg Terézanyut). No filme de Walter Carvalho, a comunicação entre duas pessoas que falam diferentes línguas não as impede de se aproximarem. Essas cenas são bonitas, muito bonitas.

    É impressionante como José Costa se entende, mesmo sem se entender, com a vivacidade de Kriska. Ela fala húngaro, ele português. Mesmo assim, tornam-se íntimos. Não fazem mímicas, não desenham o que querem. Apenas se entendem, porque há algum sentimento que conecta os dois. Porém, sejamos justos com o filme, esse amor não começa com "Era uma vez..." e muito menos se encerra com "e foram felizes para sempre".

    O longa de Walter Carvalho ainda tenta dar conta do deslumbramento com a língua húngara, na qual é praticamente impossível identificar onde começa ou termina uma palavra. Budapeste também tenta trazer para o cinema o formalismo e o jogo de espelhos do livro de Chico.

    Neste último ponto, o filme não é tão interessante quanto o livro. Na literatura, o jogo de espelhos entre José Costa/ Zosze Kósta, Kriska/ Vanda, Rio de Janeiro/ Budapeste, português/ húngaro é mais complexo que a câmera refletida no espelho utilizada por Carvalho para transportar um dos preceitos do livro: de que a história acontece ao mesmo tempo em que é contada.

    A mesma interrogação que temos ao ler Budapeste - "será que tudo isso mesmo aconteceu?" - permanece no filme. Só que o mais encantador na adaptação cinematográfica é o que está para surgir entre os dois, num ambiente um tanto Um Homem, Uma Mulher e outro tanto Jules e Jim - Uma Mulher Para Dois. É o amor que tem na língua a ponte para a sua concretização.

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