BUENOS AIRES 100 KM

BUENOS AIRES 100 KM

(Buenos Aires 100 Km)

2004 , 93 MIN.

14 anos

Gênero: Comédia Dramática

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Pablo José Meza

    Equipe técnica

    Roteiro: Pablo José Meza

    Produção: Natacha Rébora, Pablo José Meza, Pepe Salvia

    Fotografia: Carla Stella

    Trilha Sonora: Nicolás Olivera

    Estúdio: Instituto Nacional de Cine y Artes Audiovisuales (INCAA), Pyramide Productions

    Elenco

    Alan Ardel, Emiliano Fernández, Fabián Gianola, Hernan Wainstein, Juan Ignacio Perez Roca, Juan Pablo Bazzini, Rolly Serrano, Sandra Ballesteros

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Muito já se falou sobre a incrível capacidade do cinema argentino de produzir bons filmes, mesmo mergulhado em profundas crises econômicas. Um dos segredos deste sucesso está nos roteiros vindos do país vizinho: geralmente são histórias simples, que não exigem grandes produções, mas que são contadas com muita sensibilidade, emoção e humanismo. O outro segredo é firmar parcerias de produção com países europeus. A fórmula se repete no eficiente Buenos Aires 100 km, que chega ao circuito brasileiro após conquistar vários prêmios em festivais pelo mundo.

    Co-produzido por Argentina, Espanha e França, Buenos Aires 100 km traz um tema que costuma ser irresistível: a passagem da infância para o mundo adulto. Numa cidade do interior, a 100 quilômetros da capital (daí o título), cinco jovens vivem um verão tedioso, sem destino nem objetivo na vida. Um deles detesta o curso de desenho técnico que seu pai o obriga a fazer e encontra na literatura uma válvula de escape. O outro não vê - ou não quer ver - que sua própria mãe é a protagonista das mais picantes fofocas do lugar. O terceiro, um sonhador incurável, acredita que seu pai vai ficar rico, comprar um caminhão e uma casa na capital. O quarto vive a tristeza de descobrir que é adotado. E o quinto garoto não poucas vezes é trancado fora de casa, sendo obrigado a dormir na soleira. Todos têm problemas até bastante sérios, mas conseguem algum tipo de conforto pedalando suas bicicletas povoado afora, disputando um torneio de futebol num campinho de terra e, claro, apoiando-se uns nos outros. São paliativos que podem até funcionar durante um determinado tempo, mas que perdem a eficiência na medida em que aquelas crianças se tornam adultas. Os problemas crescem, as dores aumentam, a cidade parece cada dia menor, e providências precisam ser tomadas, sob pena que todos permaneçam vivendo suas imaturidades. Enfim, é preciso crescer.

    Trata-se de um tema universal, que já funcionou bem no uruguaio 25 Watts, no espanhol Barrio, ou mesmo no seriado de TV Anos Incríveis. São assuntos ao mesmo tempo simples e vitais, como a descoberta do amor, o despertar para a responsabilidade, a importância das amizades de infância e por aí vai.

    Buenos Aires 100 km não joga novas luzes sobre o tema, muito menos reinventará o cinema, mas conquista pela simplicidade, autenticidade e até pela ingenuidade. Filmado em seis semanas, a um custo de apenas US$ 400 mil, Buenos Aires 100 km procura revelar jovens atores - dois deles absolutamente inexperientes em qualquer ramo de interpretação - selecionados num universo de 600 meninos. Nem sempre dá certo: em algumas cenas, esta inexperiência se torna visível, quase chegando a comprometer o resultado final do filme, mas, no final da projeção, esses defeitos menores são encobertos por uma história singela e emocionante.

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