BURACO

BURACO

(Dong)

1998 , 95 MIN.

16 anos

Gênero: Drama

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Ming-liang Tsai

    Equipe técnica

    Roteiro: Ming-liang Tsai, Pi-ying Yang

    Produção: Carole Scotta, Caroline Benjo, Peggy Chiao

    Fotografia: Pen-jung Liao

    Elenco

    Lee Kang-Sheng, Miao Tien, Tong Hsiang-chu, Yang Kuei-Mei

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Quem conhece um pouco da obra do cineasta Tsai Ming Liang já sabe: vem filme polêmico por aí. Diretor de O Rio e Vive L´Amour - ambos já exibidos no Brasil - Liang é o tipo do autor que a crítica endeusa e que o público em geral mal conhece. E quando conhece não fica nem um pouco entusiasmado pela sua forma extremamente lenta de filmar. Perto dos filmes de Liang, o cinema iraniano é puro James Cameron.

    De qualquer maneira, para os fãs do estilo reflexivo e cifrado de se fazer filmes, o trabalho de Liang pode proporcionar experiências interessantes. Neste seu novo filme - O Buraco - a ação é ambientada na semana que vem, ou seja, nos últimos dias do ano 2000. Tudo acontece em Taiwan, cidade que está sendo atacada por um estranho vírus que transforma os homens em insetos. Enquanto isso, um encanador desastrado tenta consertar um vazamento no apartamento de uma mulher solitária. Mas, além de não consertar nada, o rapaz ainda consegue abrir um grande buraco no teto, expondo o estilo de vida muito estranho e peculiar da vizinha de cima.

    Falando assim, pode até parecer que O Buraco é uma agitada comédia surreal. Não é. O estilo reflexivo de Liang prevalece. A crítica social - repleta de simbolismos, alguns até meio óbvios - é feita em silêncio, com poucas palavras e muita paciência oriental. As leituras são as mais variadas possíveis: o caos do final do século, a podridão da sociedade exposta em seus "vazamentos" de moral, a transformação do ser humano individual em coletivas hordas de insetos... e por aí vai.

    A crítica e os intelectuais gostaram bastante. O Buraco ganhou o prêmio da crítica em Cannes, foi cotado para receber a própria Palma de Ouro (acabou perdendo para A Eternidade e um Dia), e fez bonito em festivais internacionais como Singapura e Chicago. Mas, sem dúvida, é um filme para um público bastante restrito.


    14 de dezembro de 2000
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    Celso Sabadin é jornalista especializado em cinema desde 1980. Atualmente é crítico de cinema da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão e do Canal 21. Às sextas-feiras é colunista do Cineclick. [email protected]

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