Pôster do filme Buscando

BUSCANDO...

(Searching)

2018 , 101 MIN.

14 anos

Gênero: Suspense

Estréia: 20/09/2018

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Aneesh Chaganty

    Equipe técnica

    Roteiro: Aneesh Chaganty, Sev Ohanian

    Produção: Adam Sidman, Congyu E, Natalie Qasabian, Sev Ohanian, Timur Bekmambetov

    Fotografia: Juan Sebastian Baron

    Trilha Sonora: Torin Borrowdale

    Estúdio: Bazelevs Entertainment, Bazelevs Production

    Montador: Nicholas D. Johnson, Will Merrick

    Distribuidora: Sony Pictures

    Elenco

    Alex Jayne Go, Ashley Edner, Benjamin J. Cain Jr., Brad Abrell, Courtney Lauren Cummings, Debra Messing, Erin Henriques, Gabriel D. Angell, Gage Biltoft, John Cho, Joseph Lee, Kyle Austin Brown, Lasaundra Gibson, Melissa Disney, Michelle La, Morgan Peter Brown, Rasha Goel, Reed Buck, Roy Abramsohn, Sara Sohn, Steven Michael Eich, Thomas Barbusca

  • Crítica

    06/09/2018 12h58

    Por Juliana Varella

    Desde que David Fincher lançou A Rede Social em 2010, o cinema vem tentando encontrar uma forma de abraçar a internet como tema – seja abordando problemas gerados pelo uso das redes (normalmente em filmes adolescentes como Com Amor, Simon, Ferrugem ou Slender Man - Pesadelo Sem Rosto), seja colocando a tecnologia em foco (como no terror Medo Viral, no suspense O Círculo ou na animação Wifi Ralph - Quebrando A Internet, que estreia em janeiro de 2019). Enquanto os primeiros acabaram encontrando um material psicológico rico para trabalhar, a verdade é que quase todas as tentativas de representar a vida digital como ela é (como uma "extensão" da realidade e não apenas um acessório) passaram bem longe do alvo. Isso, até agora.

    A situação está prestes a mudar porque, no dia 20 de setembro, estreia Buscando..., um filme que capta com precisão assombrosa o nível de interação que uma pessoa comum pode ter com um computador na vida real. Todas as cenas – e não estou exagerando, são realmente todas – são narradas por meio da tela de um notebook, que capta conversas em vídeo, em texto, reportagens, entrevistas, imagens de câmeras de segurança vazadas, timelines de diferentes redes sociais, transmissões ao vivo, arquivos de texto, tabelas de Excel, etc, etc, etc. E tudo isso para contar uma história que, em si, já faria qualquer espectador ficar grudado na poltrona.

    Na verdade, o formato inusitado de Buscando... não sugere que pessoas comuns passem todas as horas de seu dia diante de uma tela (apesar de a realidade não ser tão distante disso), mas mostra como uma história pode ser conhecida exclusivamente por meio do seus registros, sem que jamais se tenha contato com uma fonte de carne-e-osso. Essa é, afinal, a maneira como a maioria de nós consome notícias, constrói opiniões e até se comunica com familiares e amigos no dia-a-dia: de forma indireta, mediada por um celular ou computador. Vale notar que todos os textos mostrados na tela (incluindo as menores manchetes nos menores cantinhos) foram traduzidos para o português, facilitando bastante a experiência do espectador brasileiro.

    O filme parte desse cenário para desenvolver uma história cativante cheia de reviravoltas e mistérios – afinal, será que Margot fugiu ou foi vítima de um crime? E por que todos os colegas dizem não conhecê-la muito bem?

    O filme, que marca a estreia do diretor Aneesh Chaganty, traz um rosto conhecido para nos guiar por essa complicada narrativa (que, justiça seja feita, flui muito bem depois dos primeiros minutos de adaptação). John Cho, intérprete de Sulu nos filmes mais recentes da franquia Star Trek, é o protagonista: um pai cuja filha adolescente desapareceu sem deixar vestígios. Para ajudar a polícia a encontrá-la, ele mergulha no computador dela e traça um perfil completo de sua vida social e pessoal, descobrindo coisas que ela jamais lhe mostrara (e reforçando a ideia de que, pessoalmente, estamos nos comunicando muito mal).

    Antes do desaparecimento, descobrimos um pouco sobre a família (por meio de suas diferentes áreas de trabalho, o que é uma ótima sacada): David Kim (Cho) e Pamela Kim (Sara Sohn) eram um casal apaixonado e a filha, Margot (Michelle La na versão mais velha), era muito próxima da mãe. Porém, depois de anos de tratamento, Pamela perde para um linfoma, deixando os dois sozinhos para lidar com a dor. Algum tempo depois, tudo parece estar melhor quando, após algumas respostas evasivas para o pai sobre um grupo de estudos de biologia, Margot não volta para casa.

    O filme parte desse cenário para desenvolver uma história cativante cheia de reviravoltas e mistérios – afinal, será que Margot fugiu ou foi vítima de um crime? E por que todos os colegas dizem não conhecê-la muito bem? Pouco a pouco, a trama policial vai se amarrando a um drama psicológico sobre as distâncias entre pais e filhos, sobre o luto e o isolamento emocional de uma adolescente. E, mais uma vez, sobre a desesperadora necessidade de diálogo.

    Debra Messing interpreta a detetive que investiga o caso e é quem mais divide a tela (as telas?) com Cho. Sua personagem ajuda a colocar em perspectiva a investigação independente do pai, evitando a imagem de "super-herói" ou de "detetive profissional da noite para o dia" que é tão comum nesse tipo de filme, e mostrando que ele vai, sim, cometer muitos erros no caminho.

    O filme opta por um final bastante hollywoodiano, o que pode decepcionar quem acreditava na sua vocação mais independente, mas esse caminho (que envolve um ou dois plot twists a mais do que o necessário) vai certamente agradar a um público muito maior e garantir que ele se torne o fenômeno de bilheteria que está prometendo ser. Seja como for, uma coisa é certa: o ingresso vale cada centavo. Assista na tela que preferir.

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