CABRA-CEGA

CABRA-CEGA

(Cabra-Cega)

2005 , 107 MIN.

Gênero: Drama

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Toni Venturi

    Equipe técnica

    Roteiro: Di Moretti

    Produção: Toni Venturi

    Fotografia: Adrian Cooper

    Trilha Sonora: Fernanda Porto

    Estúdio: Olhar Imaginário

    Elenco

    Bri Fiocca, Débora Duboc, Jonas Bloch, Leonardo Medeiros, Michel Bercovitch

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Mais um filme sobre a ditadura militar brasileira? Não. Cabra-Cega, de Toni Venturi, é muito mais que simplesmente "mais um filme". Ele começa mostrando a fuga desesperada de Tiago (Leonardo Medeiros, ótimo), que vê seu "aparelho" (jargão da época usada para nomear os esconderijos dos militantes antiditadura) ser estourado pelas forças do governo totalitário brasileiro dos anos 70. Com uma bala no ombro, Tiago se refugia na casa do arquiteto Pedro (Michel Bercovitch). O primeiro encontro entre estes dois personagens já inaugura o clima de tensão que permeia todo o filme: ambos se estranham, mas parecem compartilhar um código; repelem-se ao mesmo tempo em que sabem que terão de se suportar.

    Logo entram em cena mais dois personagens: Rosa (Débora Duboc), ativista de bom coração que domina seus instrumentos de enfermagem, mas não sabe o que é pegar em armas. E Mateus (Jonas Bloch), estrategista, líder, mais velho, sem ponderando com vagar e cuidado os rumos que está tomando o movimento guerrilheiro. São quatro faces de uma mesma moeda. Na ponta mais radical, Tiago, armado de corpo e alma. Seu contraponto é Pedro, que quer ajudar, mas sem se comprometer. Rosa e Mateus equilibram o jogo, cada um à sua maneira. São quatro níveis de envolvimento, quatro formas diferentes de lutar contra um mesmo inimigo que, no filme, mal parece.

    Sem cair em clichês fáceis, Cabra-Cega radiografa, de dentro para fora, as próprias contradições internas da luta armada daquela época. A direção de Toni Venturi (de Latitude Zero) é das mais eficientes. O filme se abre aos poucos, se explica lentamente; permite-se, devagar, os planos mais abertos. Ou seja, ele se comporta, esteticamente, da mesma forma que Tiago realiza seu rito de passagem de guerrilheiro radical, que não pode sequer ser visto através da janela, a homem completo que se permite ao amor e comer uma macarronada a céu aberto. Como se tudo isso não bastasse, Cabra-Cega traz uma trilha sonora emocionante, com releituras de sucessos marcantes daquele período.

    Cabra-Cega é documento para as novas gerações, que mal têm idéia do terror dos nossos anos de chumbo. Um filme pra ser visto, revisto, debatido e estudado.

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