CACHÉ

CACHÉ

(Caché)

2005 , 117 MIN.

Gênero: Drama

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Michael Haneke

    Equipe técnica

    Roteiro: Michael Haneke

    Produção: Veit Heiduschka

    Fotografia: Christian Berger

    Estúdio: Les Films du Losange

    Elenco

    Annie Girardot, Bernard Le Coq, Daniel Auteuil, Daniel Duval, Denis Podalydès, Juliette Binoche, Lester Makedonsky, Maurice Bénichou, Nathalie Richard, Walid Afkir

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Sente-se na poltrona do cinema. Relaxe, esqueça o mundo lá fora, fixe os olhos na tela e prepare-se para uma experiência cinematográfica diferente do convencional. Esqueça as montagens rápidas, o barulho, as trilhas sonoras insistentes, os "grandes momentos" e os "grand finales" típicos das produções comerciais e entregue-se ao estranho mundo do cineasta alemão Michael Haneke, o mesmo de Código Desconhecido e A Professora de Piano. Enfim, concentre-se para ver Caché.

    Se fôssemos escrever a sinopse do filme para uma simplificada seção "Roteiro" de um jornal qualquer, Caché ficaria parecido com A Estrada Perdida, de David Lynch. Ambos mostram o pânico crescente de uma família assustada pela misteriosa remessa de estranhas e anônimas fitas de vídeo. Mas Caché segue caminhos diferentes. Bem mais linear, sua estrutura não propõe quebra-cabeças, como Lynch, mas envolve lentamente o espectador por meio de um ritmo ao mesmo tempo firme e lento. Longos planos parados e intrigantes fazem as vezes de uma verdadeira hipnose sob a lente de Haneke. Fisgam o espectador, jogam-no num universo de torpor, angustiam, para depois pregar-lhes sustos intensos.

    Repare, por exemplo, na cena tragicômica na qual um personagem faz o estranho relato sobre um cachorro que teria morrido exatamente no mesmo dia em que ele, personagem, teria nascido. Uma cena, numa primeira análise, sem função dramatúrgica para o filme. Totalmente dispensável? Talvez não. Talvez esta cena ilustre exatamente o que o cineasta esteja fazendo com o público. O narrador da história do cachorro conquista a atenção de seus ouvintes num tom de voz baixo, cadenciado, contando um caso bizarro, para depois assustar a todos com um desfecho sem explicação. Não seria exatamente isso que Haneke está fazendo com o espectador de Caché? Talvez - e apenas talvez -, o diretor tenha introduzido este momento no filme sinalizando-o como um microcosmo do seu próprio longa-metragem, como um mágico que, em código, desvenda o segredo de sua magia.

    Digressões a parte, Caché mostra Georges (Daniel Auteuil) e Anne (Juliette Binoche), um casal bem-sucedido, refinado, de alto nível cultural, que entra num processo de pavor crescente quando passa a receber estranhas fitas de vídeo. A primeira delas mostra durante horas a imagem fixa da frente da casa de Georges e Annes. É uma advertência do tipo "estou te vigiando sempre". Assustador. Já a segunda fita é acompanhada de um desenho rudimentar de um homem vomitando sangue. As imagens mostram a casa da mãe de Georges. O casal recorre à polícia, que nada pode fazer: não existe uma ameaça concreta. Temeroso, Georges viaja para visitar sua mãe (Annie Girardot) - o que não fazia há tempos - e começa a buscar o filho (Lester Makedonsky) na porta do colégio. Ou seja, as ameaças, de certa forma, contribuem para unir a família. Porém, Georges não joga claro com sua esposa. Diz meias verdades, mente, omite, tudo sob o pretexto de poupá-la, o que acaba comprometendo a credibilidade do relacionamento. O clima é de extrema tensão. Por trás de toda esta situação praticamente insustentável se escondem segredos de um passado remoto que não resiste ao tempo e, como um cadáver putrefato, mais cedo ou mais tarde sobe à tona.

    Caché é um filme fascinante pelas coisas que diz, mas é ainda mais intrigante pelas que não diz, pelo que deixa no ar, para o espectador pensar em casa. Sóbrio e misterioso, o filme coleciona vários prêmios internacionais, entre eles Melhor Direção, Prêmio do Júri e Prêmio da Crítica Internacional em Cannes, e Melhor Filme, Melhor Direção e Melhor Ator (Daniel Auteil) no European Film Award.

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