Críticas

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CADA UM TEM A GÊMEA QUE MERECE

(Jack and Jill, 2011)

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06/02/2012 19h00
por Roberto Guerra
Quem costuma assistir a filmes com certa regularidade cria, com o passar do tempo (e o acúmulo de más experiências diante da tela), uma espécie de método pessoal de identificação de filmes ruins. A técnica, claro, nem sempre funciona. Às vezes somos surpreendidos por algo razoável quando imaginávamos o pior. Em certas ocasiões, no entanto, somos confrontados com nossa própria falta de imaginação ao perceber que, o que era para ser apenas ruim, virou afronta à dignidade.

Esse é o caso do indigesto Cada Um Tem a Gêmea que Merece, nova comédia oriunda da desafinada parceria entre Adam Sandler e o diretor Dennis Dugan. Os mesmos que ano passado fizeram muita gente perder tempo com Esposa de Mentirinha. É, certas máximas não mentem: de fato nada é tão ruim que não possa piorar. Desta vez eles conseguiram fazer algo ainda mais sem graça, grosseiro, chato e constrangedor do que da última vez. O céu (ou o inferno) é o limite para essa dupla.

No filme, o publicitário Jack (Sandler) recebe a nada agradável visita de sua irmã gêmea Jill (também Sandler). Ela iria apenas passar o Dia de Ação de Graças com a família do irmão, mas, conforme os dias seguem, vai ficando muito mais tempo que o esperado. Para se livrar da irmã irritante e estabanada, ele resolve ajudá-la a arranjar um namorado. Só que ninguém poderia imaginar que o ator Al Pacino fosse cair de amores pelo jaburu. O interesse de Pacino pela irmã faz Jack unir o útil ao agradável ao tentar convencer o ator a fazer um comercial do Dunkin' Donuts. Como não podia deixar de ser, toda a trama é pontuada com muita escatologia, afinal, filme de Adam Sandler em que pum e cocô não tiver papel de destaque, não é um filme de Sandler.

O mais surpreendente é ver Al Pacino ultrapassar os limites do bom senso e se expor ao ridículo ao aceitar fazer mais do que uma ponta agradável (assim como Johnny Depp) no filme. Num determinado momento, o ator diz: "Destrua-o já!", referindo-se ao comercial que o personagem de Sandler cria. "Ninguém nunca deve ver isso". Eu diria o mesmo sobre a participação de Pacino na comédia.

Sou contra a crítica que esvazia cinema, mas o fato é que posso enumerar diversas razões para não se ver Cada Um Tem A Gêmea que Merece, e nenhuma para vê-lo. Com esse filme, Adam Sandler parece levantar um grande dedo médio para o público. Melhor seria nada fazer.

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