Pôster de Cães Errantes

CÃES ERRANTES

(Jiao You)

2013 , 138 MIN.

18 anos

Gênero: Drama

Estréia: 24/04/2014

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Tsai Ming-liang

    Equipe técnica

    Roteiro: Chen Yu Tung, Ming-liang Tsai, Peng Fei Song

    Produção: Jacques Bidou

    Fotografia: Pen-jung Liao, Qing Xin Lu

    Montador: Chen-Ching Lei

    Elenco

    Lee Kang Sheng, Lu Yi Ching, Yang Kuei Mei

  • Crítica

    22/04/2014 20h46

    Vencedor do Prêmio do Júri do último Festival de Veneza, Cães Errantes é o retrato frio e sensorial de uma vida repleta de solidão. Com silêncios profundos e grandes planos de uma Taiwan cinza e inóspita, o novo filme de Tsai Ming-liang revela o estado de vida primário de uma família assolada pela probreza e pelo abandono. Conceitual pra uns, cansativo para outros. Independente do caso, trata-se de uma experiência que requer disposição.

    Na trama, um pai e seus dois filhos vagueiam pelas ruas de Taipei, como marginais esquecidos pela cidade. Durante o dia, o amargurado progenitor trabalha como outdoor humano de apartamentos de luxo, enquanto os pequenos buscam amostras grátis de comida em supermercados e shoppings e tomam banho em banheiros públicos. Toda a noite, a família se abriga num prédio abandonado para dormir e recomeçar a batalha no dia seguinte.

    Três importantes pilares sustentam a trama de Tsai Ming-liang: a (indireta) crítica social, a estrutura conceitual da construção narrativa, e a fria e bela fotografia de uma Taipei que abriga o abandono dos protagonistas.

    Com uma vida vazia, os personagens do longa passam a maior parte do filme entre atividades primárias - alimentação, asseio e repouso -, uma breve curva de acontecimentos na vida. Elementos, no entanto, que não prejudicam a construção do diretor, já que o filme não se dedica a contar uma história propriamente dita. Cães Errantes é muito mais uma exposição sobre a solidão e o estado de abandono do que uma história sobre um personagem transformado pela sua trajetória.

    Há poucas cores na Taipei retratada e seus personagens estão aparentemente alheios a seu movimento. As escalas de preto e cinza ilustram a dureza que circunda a realidade daquela família. Esta sensação percorre todo o filme, revelando um estado de aflição.

    Em uma cena emblemática que se repete ao longo da trama, o protagonista surge parado com seu outdoor nas mãos diante do organismo vivo da cidade - os carros indo e vindo à sua volta. Todas as vezes em que esta rotina é repetida, no entanto, a câmera do diretor se aproxima mais do personagem até chegar perto o suficiente para fechar o quadro em seu rosto, e aí sim revelar os aspectos mais profundos deste homem: um ser humano perturbado e sozinho.

    A esperada sequência de treze minutos que ganhou a imprensa após a exibição do filme no Festival de Veneza faz jus à reputação. Extremamente bem atuada, a cena de um homem e uma mulher parados diante de uma pintura comove e provoca inquietação, assim como todo o filme, em quem está assistindo. Me pergunto se este incômodo, no entanto, não tenha sido desde o início a sensação que Tsai Ming-liang pretendia causar em seu público. Para bem ou para mal, este resultado é atingido.

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