CAFÉ DA MANHÃ EM PLUTÃO

CAFÉ DA MANHÃ EM PLUTÃO

(Breakfast on Pluto)

2005 , 129 MIN.

14 anos

Gênero: Comédia Dramática

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Neil Jordan

    Equipe técnica

    Roteiro: Neil Jordan

    Produção: Alan Moloney, Neil Jordan

    Fotografia: Declan Quinn

    Trilha Sonora: Anna Jordan

    Elenco

    Brendan Gleeson, Cillian Murphy, Gavin Friday, Laurence Kinlan, Liam Neeson, Ruth Negga, Stephen Rea

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Baseado em romance de Pat McCabe, Café da Manhã em Plutão é a história de um jovem irlandês desajustado e imaginativo demais para poder encarar a crueldade da realidade. Contado em tom de conto de fadas, o filme de Neil Jordan é uma divertida e tocante fábula adulta cuja alma é trazida por Cillian Murphy (Batman Begins) em sua melhor atuação até agora.

    Cillian Murphy é Patrick "Gata" Brady, cuja vida desajustada já começa antes mesmo dele nascer. Filho bastardo do Padre Bernard (Liam Neeson) com sua empregada, Eily Bergin (Eva Birthistle), o protagonista foi criado por uma tia. A educação, acontecida num colégio de padres, foi crucial para que Patrick se sentisse cada vez mais desajustado. Especialmente quando escrevia redações cheias de alusões ao sexo e à identidade do pai. Desde cedo, ele sempre gostou de usar a maquiagem e os vestidos da tia, o que a preocupava mais ainda. Corretivos não adiantaram e, antes mesmo de concluir seus estudos, Patrick resolveu sair em busca de sua mãe na grande e ameaçadora Londres. Lá, nosso herói tem encontros com pessoas que o amaram, outras nem tanto. Também tem contato com organizações irlandesas revolucionárias na década de 70, trazendo um toque de violência à sua vida. Nada que não pudesse ser contornado sob uma bota de salto alto, forma como o personagem costuma encarar os problemas.

    Café da Manhã em Plutão é uma história forte e tocante. No entanto, o humor agridoce que carrega, aliado ao tom de fábula da narrativa - feita pelo ponto de vista do imaginativo protagonista - faz com que seja um filme muito mais agradável em relação à dureza do tema. Afinal, trata-se da história de um jovem homossexual que tenta se ajustar numa sociedade em plena libertação sexual. Mas o que realmente faz com que Café da Manhã em Plutão seja tão fascinante é a performance de Cillian Murphy. Ao mesmo tempo em que beira o caricatural, seu personagem tem uma dignidade única. A direção de arte também é muito boa, além dos figurinos. Isso sem contar a divertidíssima trilha sonora, que conta com dançantes hits da década de 70.

    Por ser uma fábula, Café da Manhã em Plutão não se leva a sério. E nem deve ser levado. Afinal, não é um tratado sociológico sobre a sexualidade do protagonista, mas sim sua divertida história. O filme, exibido há quase um ano em telas brasileiras durante a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e o Festival do Rio - duas das maiores vitrines que o cinema internacional encontra por aqui -, chega somente agora nos cinemas depois de ter sua estréia adiada uma porção de vezes. Certamente, culpa do nosso mercado cinematográfico que faz escolhas inexplicáveis. Agora, resta ao espectador descobrir esta produção, uma das melhores de 2005 que quase não foi vista por aqui.

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