CALIFÓRNIA

CALIFÓRNIA

(Califórnia)

2015 , 85 MIN.

14 anos

Gênero: Drama

Estréia: 03/12/2015

página inicial do filme
  • Ficha técnica

    Direção

    • Marina Person

    Equipe técnica

    Roteiro: Francisco Guarnieri, Mariana Veríssimo, Marina Person

    Produção: Carmem Maia, Giulia Setembrino, Gustavo Rosa de Moura, Marina Person

    Fotografia: Flora Dias

    Trilha Sonora: Henrique Chiurciu

    Estúdio: Mira Filmes

    Montador: Bernardo Barcellos

    Distribuidora: Vitrine Filmes

    Elenco

    Amanda Chaptiska, Amanda Zamora, Caio Blat, Caio Horowicz, Clara Gallo, Cristiano Damasi, Domingas Person, Eloisa Turini, Francisco Guarnieri, Gilda Nomacce, Giovanni Gallo, Gustavo Rosa de Moura, Isabella Scherer, Ivo Müller, Joelson Oliveira, Letícia Fagnani, Livia Gijon, Nathalia Magalhães Vicentim, Paulo Miklos, Pedro Goifman, Samir Rashid, Virginia Cavendish

  • Crítica

    02/11/2015 11h10

    Os créditos iniciais anunciam que Califórnia é um filme de Marina Person, a Vj da MTV Brasil entre 1995 e 2011, que atualmente, apresenta os programa Metrópolis, na TV Cultura, mas as cenas do longa são suficientes para revelar a assinatura. Elas deixam evidentes características da personalidade da diretora.

    Tudo começa com a semelhança física da protagonista com a cineasta, uma coincidência que não estava nos objetivos da produção na fase de seleção de atores. A estreante Clara Gallo vive Estela, uma típica estudante adolescente na São Paula de 1984, com disputas domésticas com os pais (Virginia Cavendish, de Lisbela E O Prisioneiro, e Paulo Moklos, de É Proibido Fumar) e confidências com amigas. A moça conta os dias para o término das aulas, pois irá viajar aos Estados Unidos para visitar o tio (Caio Blat, de Ponte Aérea).

    As ligações pessoais da diretora seguem pelas locações. Clara estudo no colégio Santa Cruz, passeia na Galeria do Rock e dança no Madame Satã; cenários frequentados pela diretora em sua juventude. Mesmo assim, não é necessário conhecer a geografia paulistana para curtir o filme. Trata-se apenas de alusões leves que tocarão os entendidos, mas não afastarão novatos.

    O gosto musical de Estela – aficionada por David Bowie – é parte do repertório de Marina. Outra parcela de seu repertório faz parte da coleção de LPs de JM (Caio Horowicz, de Família Imperial), novo colega de escola da protagonista que é louco por Smiths. Assim, as cenas de Califórnia são embaladas ao som de bandas como The Cure, Joy Division e Titãs, entre outras. Um deleite aos ouvidos.

    Com uma aura de mistério ao seu redor, JM chega na história para trazer novidades na vida de Estela, tanto no campo musical quanto sentimental. Contudo, o coração da garota pertence a Xande (Giovanni Gallo, de De Menor), o rapaz mais popular da escola. Esse triângulo amoroso é a espinha dorsal do roteiro, mas há outros temas na berlinda.

    Os planos da sonhada viagem pela costa oeste dos Estados Unidos são frustrados, pois o tio de Estela retorna ao Brasil às pressas, sem muitas explicações. Aos poucos, o público percebe que Carlos é soropositivo, uma verdadeira sentença de morte nos anos 1980. Outra referência temática à época é o clima da campanha pelas Diretas Já, mas de maneira mais sutil.

    Para além do filme, o fato de Califórnia se passar nos anos 1980 confirma uma tendência do cinema brasileiro contemporâneo: quando se faz um bom filme para jovens, as protagonistas femininas parecem presas à mesma época. Podecrer! (2007) se situa no início da década e é estrelado por Maria Flor. Já Desenrola (2011) se passa no terceiro milênio, mas uma fita K7 que a personagem vivida por Olívia Torres é recheada com hits do passado, especialmente Simple Minds. Uma exceção à regra por não ter o mesmo nível de qualidade dos outros títulos, Muita Calma Nessa Hora (2010) se liga ao clima oitentista por ser um "filme de turma", um gênero em profusão no período.

    Além dos anos 1980, outro elemento que une os filmes é a sinceridade para tratar de temas pertinentes, que falam alto aos jovens, nem que seja àquele adolescente que mora dentro de cada espectador. Nesse caso, o senso de nostalgia potencializa a conexão emocional com os personagens.

Deixe seu comentário
comments powered by Disqus