CAMA DE GATO

CAMA DE GATO

(Cama de Gato)

2002 , 92 MIN.

18 anos

Gênero: Drama

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Alexandre Stockler

    Equipe técnica

    Roteiro: Alexandre Stockler

    Produção: Gisele Jordão Costa, Otávio Ribeiro

    Fotografia: Charly Spinelli, Murilo Azevedo

    Trilha Sonora: Alexandre Stockler, Doca Corbett

    Estúdio: A Exceção e a Regra

    Elenco

    Bárbara Paz, Cainan Baladez, Caio Blat, Claudia Schapira, Luiz Araújo, Nany People, Rennata Airoldi, Rodrigo Bolzan

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Se você já parou algum dia para pensar sobre o rumo que a sociedade brasileira toma, especialmente em se tratando dos jovens, com certeza vai chegar a alguma conclusão assistindo a Cama de Gato, filme de estréia de Alexandre Stockler. Isso porque o filme é daqueles que incomodam, fazem o espectador pensar. Com pitadas de humor negro e grandes punhados de crítica social, este filme é daqueles que fazem a gente se sentir desconfortável na cadeira do cinema e, depois da sessão, sair com a cabeça fervilhando de opiniões e conclusões não somente sobre o longa, mas sobre nossa sociedade.

    A história gira em torno de Cristiano (Caio Blat), Francisco (Rodrigo Bolzan) e Gabriel (Cainan Baladez). Eles são três jovens típicos da classe média paulistana: depois de terminarem o Ensino Médio, entram para a faculdade. Mas isso é de menos em suas vidas: o que eles querem é diversão a qualquer custo, seja por meio de sexo ou drogas. A vida, sem responsabilidade alguma, parece ser fácil até certo ponto. Os problemas começam quando as farras do trio os levam a um estupro seguido de assassinato. Na tentativa de encobrir seus crimes, os amigos se complicam cada vez mais.

    Cama de Gato é um belo exemplo do caminho que um cineasta independente pode seguir, não pela história, mas pelo modo que foi feito. Unindo tecnologias atuais (o longa foi filmado com câmeras digitais, enquanto que os atores foram escalados por meio de um anúncio na internet, por exemplo), Stockler mostra, além da dura crítica à sociedade brasileira, uma forma de se fazer cinema com poucos recursos financeiros.

    O roteiro, aparentemente violento e absurdo demais, assusta exatamente porque essas situações tão bizarras nas quais eles se colocam são perfeitamente cabíveis em se tratando de um País onde se incendeiam índios e espancam moradores de rua. Tanto que o diretor inspirou-se em casos reais enquanto escrevia o roteiro. Os três personagens principais são extremamente idiotas, mas tenho certeza que você já conheceu pelo menos um garoto da idade deles que aja de forma semelhante.

    Ao esfregar essa realidade na cara do espectador, Stockler provoca mais do que náuseas: ele mostra que rumos errados são tomados diariamente por esses jovens que se sentem tão perdidos no abismo que existe entre a infância e a vida adulta. Cama de Gato, no entanto, não tem um tom moralista. Há, sim, um tom dramático, quase documental, que pretende, muito mais do que alertar, simplesmente mostrar o que se passa na cabeça dos jovens brasileiros. Sem demagogia.

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