CAMELOS TAMBÉM CHORAM

CAMELOS TAMBÉM CHORAM

(Die Geschichte Vom Wei Nenden Kamel)

2003 , 87 MIN.

Gênero: Documentário

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Byambasuren Davaa, Luigi Falorni

    Equipe técnica

    Roteiro: Byambasuren Davaa, Luigi Falorni

    Produção: Tobias Siebert

    Fotografia: Luigi Falorni

    Trilha Sonora: Choigiw Sangidorj, Marc Riedinger, Marcel Leniz

    Estúdio: Bayerischer Rundfunk

    Elenco

    Amgaabazar Gonson, Chimed Ohin, Enkhbulgan Ikhbayar, Guntbaatar Ikhbayar, Ikhbayar Amgaabazar, Janchiv Ayurzana, Munkhbayar Lhagvaa, Odgerel Ayusch, Uuganbaatar Ikhbayar, Zeveljamz Nyam

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Camelos Também Choram é aquele tipo de filme que, para ser compreendido, o espectador deve desligar seu cérebro. Não que não seja inteligente, muito pelo contrário, mas as loucuras do dia-a-dia - como trânsito e horários - precisam ser deixados do lado de fora da sala de cinema. É mais ou menos assim: desligue-se do mundo moderno e entre no deserto de Gobi (sul da Mongólia) ao lado dos personagens desde documentário, que concorreu ao Oscar e ao Globo de Ouro no ano passado.

    Dirigida pelo italiano Luigi Falorni e por Byambasuren Davaa (criada em uma família que costumava ser como a do filme), a produção nos insere no cotidiano de uma família de nômades que vive no deserto. Entre criações de ovelhas e camelos, três gerações convivem de forma harmoniosa nas barracas. É primavera e os camelos estão em plena reprodução. Depois de um difícil parto, uma fêmea dá à luz um raro filhote albino que, por conta dos alvos pêlos, passa a ser rejeitado pela mãe. Preocupada, a família de nômades tenta estimular os sentimentos maternos do camelo, mas não tem muito sucesso. A solução é encontrada na cidade, onde vive um professor de música que conduz ritual musical que faz o camelo do título chorar e aceitar seu filhote.

    O documentário mostra o conflito e a aceitação entre gerações, não somente entre os camelos, mas também entre a família dos nômades. Afinal, temos três gerações desta família, unidas por um estilo de vida que ainda existe (pouco) na Mongólia. O que fica evidente quando um dos filhos, após uma viagem à cidade, pede aos avós que tenham uma TV em sua barraca. Não há conflitos pesados, mas sim a aceitação das novas gerações. A relação entre os camelos presentes nesta produção - que são os protagonistas do filme, a razão dele existir - é tão incomum que soa como uma prosopopéia (aquela figura de linguagem das aulas de gramática, lembra?). Sentimentos humanos, como a angústia, a tristeza e a maternidade, são atribuídos aos camelos, animais que realmente choram - e eu achando que o título não passava de uma prosopopéia...

    Camelos Também Choram é um filme sensível, belo e contemplativo. A música do ritual final, aliada à aceitação da mãe-camelo, é realmente emocionante, fazendo com que a cena arranque arrancar lágrimas não somente do animal, mas do espectador também.

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