Pôster do filme Camille Claudel

CAMILLE CLAUDEL 1915

(Camille Claudel, 1915)

2013 , 96 MIN.

12 anos

Gênero: Drama

Estréia: 09/08/2013

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Bruno Dumont

    Equipe técnica

    Roteiro: Bruno Dumont

    Produção: Jean Bréhat, Muriel Merlin, Rachid Bouchareb

    Fotografia: Guillaume Deffontaines

    Estúdio: 3B Productions

    Montador: Basile Belkhiri, Bruno Dumont

    Distribuidora: Califórnia Filmes

    Elenco

    Armelle Leroy-Rolland, Emmanuel Kauffman, Jean-Luc Vincent, Juliette Binoche, Marion Keller, Robert Leroy

  • Crítica

    03/08/2013 18h47

    A natureza-morta, tipo de pintura onde seres inanimados ganham foco, poderia definir artisticamente muitos pontos de Camile Claudel 1915. A estética cheia de peso, com ênfase em contornos fundamentais, compõe a atmosfera do novo filme de Bruno Dumont assim como as grandes obras do pós-impressionista Paul Cézanne, por exemplo. Não há ambientes coloridos para aliviar o entorno.

    O recorte da trama mostra o tempo que a irmã do escritor Paul Claudel passou em um manicômio no sul da França. Escultora talentosa e amante de Auguste Rodin, Camille sucumbiu ao desespero e isolamento após o término dos dois. Nunca levada a sério em sua arte, exemplifica perfeitamente os males da repressão feminina, a qual culminou numa onda amplificada de histeria.

    Conhecido por apostar na naturalidade das interpretações amadoras, Dumont escolheu a estrela Juliette Binoche para o papel da protagonista. Apesar de o diretor fazer um desvio do estilo que vinha tecendo ao longo de seus últimos filmes, o desespero exagerado, quase teatral de Binoche cria um forte contraste ao deparar-se com distúrbios mentais verdadeiros dos figurantes.

    A primeira parte do longa causa aflição com tantos gemidos, gestos e ações inconvenientes; ironicamente, a risada excessiva no cenário onde a loucura se encontra causa ainda mais incômodo. Certamente, a imobilidade transmitida pelo filme causará desconforto para muitos espectadores. O drama psicológico é minimalista e incide sobre a falta de movimento.

    Outro ponto interessante em Camille Claudel 1915 é a forma como ele conduz o espectador emocionalmente. No começo, acredita-se piamente na injustiça de sua contenção, no ferimento da liberdade a troco de tão pouco. Alguns diálogos com o médico do manicômio mostram o contrário.

    À medida que o filme se desenvolve e os traumas de Camille ficam mais evidentes, o questionamento sobre a relatividade de um estado normal de consciência também vem à tona. A artista parece sóbria dentro de um contexto extremamente doentio, mas, estaria preparada para viver em sociedade? E quem estaria de fato?

    Jean-Luc Vincent interpreta Paul Claudel com austeridade, dando-lhe aquele certo ar sagrado que a razão – mesmo quando ilusória – proporciona para os que julgam estar do lado certo. O escritor, de fato, parece ter uma fé sólida. Entretanto, ela lhe serve como arma para tomar as atitudes desejadas, lhe confere poder. A cena do encontro entre os irmãos coloca todas essas sensações em evidência.

    Bruno Dumont saiu um pouco da linha neste longa: alterou levemente seu estilo, seguiu caminhos mais seguros, utilizou o recurso de contextualização histórica por meio de palavras deixando as saídas criativas de lado. No entanto, recriou o momento angustiante de um ser humano de forma autêntica, bela e perturbante – incômodo necessário para tentar entender o sofrimento do outro.

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