CANTA MARIA

CANTA MARIA

(Canta Maria)

2006 , 95 MIN.

12 anos

Gênero: Drama

Estréia: 17/11/2006

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Francisco Ramalho Jr.

    Equipe técnica

    Roteiro: Francisco Ramalho Jr.

    Produção: Edward Boggiss, Francisco Ramalho Jr., José Wilker, Marco Ricca, Vanessa Giácomo

    Fotografia: Lúcio Kodato

    Trilha Sonora: Daniela Mercury, Dimi Kireefff, Gabriel Povoas

    Elenco

    Aloísio De Abreu, Eliete Cigarini, Francisco Carvalho, José Wilker, Neusa Maria Faro, Rodrigo Penna, Tião D'Avila

  • Crítica

    17/11/2006 00h00

    Num momento em que se torna cada vez mais tênue a linha que divide (ou que deveria dividir) legalidade e criminalidade, um tema dos mais interessantes de nossa história está de volta à pauta cinematográfica: o cangaço. O movimento que sacudiu o Nordeste nas primeiras décadas do século 20, uma das grandes vertentes do nosso cinema no passado, ganha releitura no filme Canta Maria, que Francisco Ramalho Jr. produziu, dirigiu e roteirizou a partir do livro Os Desvalidos, de seu xará sergipano Francisco J.C. Dantas.

    Não que Canta Maria seja exatamente um filme sobre o cangaço, mas, usando este tema como pano de fundo, o roteiro esmiúça uma personagem que, assim como o próprio País, vê seu coração e mente balançarem entre a tal legalidade instituída e a suposta criminalidade de Lampião e seu bando. Numa terra sem lei, quem pode determinar precisamente a fronteira entre o certo e o errado? Quem pode afirmar que as balas dos cangaceiros são mais ou menos mortais que as injustiças dos coronéis?

    É neste cenário que a bela Maria (Vanessa Giácomo, da novela Cabocla, estreando no cinema) se apaixona pelo rústico domador de cavalos Felipe (Marco Ricca, ótimo como sempre). Quando a violência do cangaço explode na região, Felipe decide se tornar caixeiro viajante, profissão que ele julga mais segura, deixando a jovem esposa aos cuidados de Coriolano (Edward Boggiss), um sobrinho também vitimado pela violência, mas de um outro tipo: a familiar. Nasce entre ambos um perigoso clima de estranhamento e sedução. Tudo é circular e indefinido neste Nordeste dos anos 30. Maria, cujos pais acobertavam o próprio bando de Lampião, acaba se transformando numa dolorosa vítima do cangaço, demonstrando que a violência é uma cobra que vive comendo seu próprio rabo.

    Canta Maria foi rodado primordialmente em Cabaceiras, interior da Paraíba, onde a equipe de produção teve de cobrir com terra todo o asfalto da cidadezinha, além de retirar postes de iluminação, fios e antenas de TV, e de pintar todas as casas de acordo com a criação artística exigida pelo filme. As cenas finais tiveram lugar em dois parques de reservas naturais de Pernambuco: Pedra Furada e Catimbaú.

    O filme recebeu o nome provisório de Os Desvalidos, mas, durante a fase de finalização, o título foi mudado para Canta Maria, a partir da música de Daniela Mercury e Gabriel Povoas, que escreveram as canções originais especialmente para o filme. O papel de Lampião é uma participação especial de José Wilker, que já viveu nas telas outra emblemática personagem nordestina: Antonio Conselheiro, em Guerra de Canudos. O que virá agora para Wilker? Padre Cícero ou ACM?

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