CAOS CALMO

CAOS CALMO

(Caos Calmo)

2008 , 105 MIN.

Gênero: Drama

Estréia: 03/10/2008

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Antonio Luigi Grimaldi

    Equipe técnica

    Roteiro: Francesco Piccolo, Laura Paolucci, Nanni Moretti

    Produção: Domenico Procacci, Gianluca Leurini

    Fotografia: Alessandro Pesci

    Trilha Sonora: Paolo Buonvino

    Elenco

    Alessandro Gassman, Blu Di Martino, Hippolyte Girardot, Isabella Ferrari, Nanni Moretti, Roberto Nobile, Silvio Orlando, Valeria Golino

  • Crítica

    03/10/2008 00h00

    Como reza a tradição cinematográfica italiana, novamente as relações familiares são a base deste apaixonante Caos Calmo, filme vencedor de três David di Donatello, a premiação máxima do cinema feito na Itália: Melhor Ator Coadjuvante (Alessandro Gassman), Melhor Trilha Sonora e Melhor Canção Original (L'Amore Trasparente).

    Uma terrível tragédia familiar abala a vida do executivo Pietro (Nanni Moretti, também conhecido como o grande diretor de O Quarto do Filho e vários outros) e de Cláudia (Blu Di Martino), sua filha de dez anos. Mas o livro de Sandro Veronesi que deu origem ao filme não busca exatamente investigar a tragédia e sim suas conseqüências. O chamado day after, ou, no caso, week after ou year after. Como conviver com a dor da perda, como agir, o que fazer.

    O protagonista opta por simplesmente nada fazer. Extremamente bem interpretado por Moretti (que também colaborou no roteiro), o executivo Pietro decide levar sua filha à escola e simplesmente permanecer sentado num banco de praça até a hora da saída. Avisa sua secretária que não irá ao trabalho e dentro da mais absoluta tranqüilidade passa as horas contemplando o movimento do lugar.

    A experiência parece lhe fazer bem, mesmo porque no conforto de seu banco de madeira ele se sente revestido por uma ilusória sensação de segurança que nada acontecerá à sua filha, distante apenas poucos metros da praça. E resolve repetir o ritual no dia seguinte... E no outro... Enquanto isso, a empresa que ajuda a dirigir está em polvorosa, vítima de uma cruel negociação entre sócios e diretores envolvendo a possibilidade de uma fusão milionária.

    Impassível como uma pedra, Pietro está em outro mundo. A tragédia pela qual passou o ajudou a criar uma escala de valores mais humana, mais real, na qual o relacionamento interpessoal passou a ser muito mais importante que os negócios. Com sabedoria e complacência, passa a atender os associados, amigos e colegas sem sair do banco da praça. Ao mesmo tempo em que começa a viver uma nova realidade a partir dos anônimos e desconhecidos habitantes do lugar. Na praça, a vida é mais simples. O caos é calmo. Se alguém quiser conversar com Pietro, que apareça por ali.

    Um belo trabalho de direção sóbria, elegante e ao mesmo tempo profundamente emocionante de Antonello Grimaldi, cineasta que estava inédito no circuito comercial brasileiro. É o cinema italiano mostrando que - por mais que agonize financeira e mercadologicamente - sempre ressurge e comprova sua força e o seu (eterno) renascimento.

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