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CAPITÃO AMÉRICA: GUERRA CIVIL

(Captain America: Civil War, 2016)

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25/04/2016 16h00
por Daniel Reininger

Vamos direto ao que interessa: Capitão América: Guerra Civil é um dos melhores filmes da Marvel. Não é tão redondo quanto Soldado Invernal, nem tão divertido quanto o primeiro Vingadores, mas é muito melhor do que Era De Ultron ou Homem-formiga.

Já na comparação com Batman Vs Superman, que também coloca herói contra herói, a produção da Casa das Ideias consegue superar o rival ao acertar algumas questões-chave, como ritmo da narrativa, desenvolvimento e motivações dos personagens. Sem falar que as produções da Marvel têm a vantagem de ter um clima leve e descontraído, capazes de transformar qualquer ida ao cinema em algo divertido.

Diferente dos quadrinhos, a questão aqui não é o registro de todos os super-humanos, mas sim a exigência dos líderes mundiais de que os heróis mais poderosos da Terra sejam supervisionados, após os eventos catastróficos dos filmes anteriores. Os Vingadores passariam a ser controlados pela ONU e esse acordo, assinado por mais de 100 países, recebe o nome de Tratado de Sokovia, referência à cidade destruída em Era de Ultron.

Só que Capitão América (Chris Evans) não concorda com esse controle governamental, por medo de interesses políticos interferirem na segurança de pessoas inocentes, e decide não assinar o acordo. Porém, quando um atentado é atribuído a seu amigo Bucky, o Soldado Invernal, o bandeiroso decide agir por conta própria e os Vingadores a favor do tratado precisam impedi-lo.

Essa é a trama básica da obra, mas interessante mesmo é ver a relação dos personagens e como suas motivações ou ideologias os levam a um lado ou outro do confronto. Não espere algo da magnitude de Guerra Civil dos quadrinhos, tudo aqui é diferente e a escala do conflito é bem menor, porém, a trama é bem construída e o roteiro justifica cada ação dos personagens, sem forçar a barra ou esquecer do elemento humano.

Dito isso, as discussões entre Capitão América e Homem de Ferro (Robert Downey Jr.), apesar de interessantes inicialmente, nunca saem do mesmo argumento. Cada lado acredita estar certo e as conversas nunca avançam, como aconteceria num filme de drama político. Seria bom ver os argumentos aprofundados, mas essas cenas acabariam atrapalhando a narrativa, por mais importantes que fossem, afinal, esse é um filme de super-heróis. A briga estar bem justificada é o suficiente para garantir os momentos mais esperados da obra: as lutas.

E as cenas de combate estão incríveis. Ver herói contra herói é sensacional, ainda mais porque o filme consegue mostrar o quanto um se importa com o outro até o ponto em que é preciso aumentar o grau de violência para tentar garantir a vitória. Essa mudança de atitude no meio das lutas faz toda a diferença para proporcionar a credibilidade necessária. A batalha do aeroporto é fantástica e, se não é a melhor, é uma das melhores lutas envolvendo super-heróis já filmadas.

Além disso, o elenco está no auge de suas atuações e todos se mostram cada vez mais confortáveis na pele dos heróis, especialmente Visão (Paul Bettany), que evoluiu e passa a ter um lado mais humano. Sobre as novidades, Pantera Negra (Chadwick Boseman) está ótimo - seu filme solo promete muito - e Zemo (Daniel Brühl) é o vilão mais humano e realista da Marvel. Mas quem rouba a cena mesmo é o Homem-Aranha.

Tom Holland assumiu o papel de forma tão competente quanto Downey Jr. fez com Homem de Ferro. Essa é, sem dúvida, a melhor adaptação do cabeça de teia para as telonas, mesmo que o personagem apareça pouco. Claro que mostrar um herói por poucos minutos é muito mais fácil do que criar uma narrativa de duas horas com ele, porém, parece que a Marvel Studios acertou na escolha do ator, no visual e na atitude de Peter Parker.

Em compensação, Downey Jr. interpreta Tony de forma cada vez mais sombria. O personagem tem perdido seu carisma e humor desde Homem De Ferro 3. Em Era de Ultron já o vemos bem mais sério e em Guerra Civil o personagem beira a depressão. Claro que existem razões dramáticas para isso, porém, Tony não tem mais o mesmo apelo e capacidade de divertir. Além disso, sua teimosia deixa o filme um pouco arrastado por vezes.

Mas o maior problema de Guerra Civil é o fato de deixar muitos ganchos abertos para o futuro, o que faz com que o longa pareça mais uma introdução à Fase 3 do que um filme contido em si mesmo. Essa é a maior falha da Marvel já há algum tempo, afinal, o estúdio parece mais preocupado em preparar o terreno para o próximo lançamento do que se preocupar em fechar completamente os arcos de cada história.

Esse é um dos efeitos colaterais ao se tentar criar um universo coerente e expandido no cinema, afinal, essa quantidade de ganchos funcionaria bem numa série de TV, mas atrapalha um pouco a experiência cinematográfica.

Apesar disso, Guerra Civil é um ótimo filme, cujos destaques são as relações entre os personagens e as cenas de ação. O roteiro funciona, apesar de alguns furos, especialmente quando analisamos melhor o plano do vilão Zemo, mas, no geral, as coisas fluem bem. No final das contas, a Marvel continua fazendo obras para os fãs de seu Universo Cinematográfico e, nesse ponto, acertou em cheio novamente.

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Daniel Reininger

Daniel Reininger

Editor-Chefe

Fã de cultura pop, gamer e crítico de cinema, é o Editor-Chefe do Cineclick.

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