CAPOTE

CAPOTE

(Capote)

2005 , 98 MIN.

16 anos

Gênero: Drama

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Bennett Miller

    Equipe técnica

    Roteiro: Dan Futterman

    Produção: Caroline Baron, Michael Ohoven, William Vince

    Fotografia: Adam Kimmel

    Trilha Sonora: Mychael Danna

    Estúdio: A-Line Pictures, Cooper's Town Productions, Eagle Vision, Infinity Media, Manitoba Film & Sound, Manitoba Film and Video Production Tax Credit, Sony Pictures Classics

    Elenco

    Adam Kimmel, Ainsley Balcewich, Allie Mickelson, Amy Ryan, Andrew Farago, Araby Lockhart, Avery Tiplady, Bess Meyer, Bob Balaban, Boyd Johnson, Bronwen Coleman, Bruce Greenwood, C. Ernst Harth, Catherine Keener, Chris Cooper, Christopher Read, Clifton Collins Jr., Craig Archibald, David Rakoff, David Wilson Barnes, Don Malboeuf, Edward Sutton, Frank Filbert, Harry Nelken, James Durham, Jason Love, Jeremy Dangerfield, Jim Shepard, John B. Destry, John Maclaren, John Warkentin, Jon Ted Wynne, Jonathan Barrett, Kate Shindle, Kelci Stephenson, Ken Krotowich, Kerr Hewitt, Kwesi Ameyaw, Manfred Maretzki, Marina Stephenson Kerr, Mark Pellegrino, Marshall Bell, Mia Faircloth, Michael J. Burg, Miriam Smith, Nazariy Demkowicz, Norman Armour, Olie Alto, Philip Lockwood, Philip Seymour Hoffman, R.D. Reid, Rob McLaughlin, Robert Huculak, Wayne Nicklas, Will Woytowich

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Como sempre tento fazer, fui assistir a Capote sabendo muito pouco, quase nada, sobre a produção. Na medida do possível, gosto de ver um filme com a mente "zerada" e somente após a projeção começo as pesquisas necessárias para escrever a crítica. Assim, pensava se tratar de mais uma cinebiografia oscarizável como tantas outras, estilo Ray, Johnny & June ou O Aviador. Nada disso. Capote não é um filme sobre o famoso escritor norte americano Truman Capote. É muito menos e muito mais que isso.

    Muito menos porque não se propõe a contar toda a vida do escritor, com cenas de sua infância, adolescência, apogeu, decadência, e tudo o que nos acostumamos a ver numa cinebiografia hollywoodiana. O roteiro fixa-se num importante momento de sua vida, mais precisamente os sete anos consumidos no processo de criação de sua obra mais famosa, A Sangue Frio. E muito mais porque, optando por este "recorte" (para usar a "palavrinha da moda") na vida do escritor, o filme tem mais tempo de explorar, com profundidade, um tema dos mais fascinantes: como a vida influencia a arte e como a arte influencia a vida.

    Tudo começa em 1959, quando o já famoso escritor e jornalista da revista The New Yorker, Truman Capote (mais uma marcante interpretação de Phillip Seymour Hoffman, também produtor do filme), se interessa por um caso macabro de quádruplo assassinato acontecido numa cidadezinha no interior do Kansas. Patrocinado pela sua revista, ele e sua fiel escudeira Harper Lee (Catherine Keener, só pra variar, ótima novamente) partem para o local e começam uma atividade que vai parecer das mais estranhas para os jornalistas de hoje: pesquisa. Na medida em que entrevista pessoas ligadas ao massacre, Capote começa a ficar fascinado pelo perfil de Perry (Clifton Collins Jr.), um dos assassinos, e pelos motivos que o teriam levado a cometer o crime. O que era para ser apenas um artigo na revista acaba se transformando num dos livros mais famosos do século 20.

    O roteiro trabalha com nuances. Vemos um Capote ambivalente que se perde entre os mais diversos sentimentos. Ele se admite quase apaixonado por Perry, o assassino objeto de sua pesquisa, ao mesmo tempo em que o considera "uma mina de ouro". É capaz de dar-lhe comida na boca, mas aguarda ansioso por sua morte, que lhe traria o tão desejado ponto final do livro que escreve. Uma cena emblemática ilustra esta dualidade do personagem: abatido, Capote se delicia com um gole de uísque... Que dissolve num vidrinho de papinha infantil. Quem é esse homem tão infantilizado que chega a pagar para que um carregador de trem lhe faça um elogio, ao mesmo tempo em que escreve um dos livros mais adultos da literatura norte-americana? Quem é este nova-iorquino que faz rir a "inteligentzia" mais refinada da cidade, ao mesmo tempo em que carrega dolorosas recordações de infância? O filme, claro, não traz as respostas, mas é hábil ao propor as perguntas. E mais: entra num fascinante círculo vicioso ao mostrar que os fatos ligados ao julgamento dos criminosos transformam a literatura do escritor, na mesma proporção que a literatura do escritor transforma os fatos ligados ao julgamento dos criminosos.

    Produzido com um modesto orçamento de US$ 7 milhões e venmcedor de dezenas de prêmios (incluindo o Oscar de Melhor Ator para Phillip Seymour Hoffman), Capote já rendeu o dobro de seu custo somente nos cinemas dos EUA. É um sucesso feito por estreantes. Dan Futterman, após algumas dezenas de participações como ator em seriados de TV, estréia como roteirista. O diretor Bennett Miller, que só havia dirigido o documentário The Cruise, em 1998, estréia na ficção. E Gerald Clarke, autor do livro que deu origem ao filme, vê pela primeira vez uma obra sua adaptada para as telas.

    Nada como uma boa dose de sangue novo para revitalizar os caminhos do cinema americano.

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