CARTAS DE IWO JIMA

CARTAS DE IWO JIMA

(Letters From Iwo Jima)

2006 , 141 MIN.

14 anos

Gênero: Drama

Estréia: 16/02/2007

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Clint Eastwood

    Equipe técnica

    Roteiro: Iris Yamashita, Paul Haggis

    Produção: Clint Eastwood, Robert Lorenz, Steven Spielberg

    Fotografia: Tom Stern

    Trilha Sonora: Kyle Eastwood, Michael Stevens

    Estúdio: Amblin Entertainment, DreamWorks SKG, Malpaso Productions, Warner Bros. Pictures

    Elenco

    Akiko Shima, Daisuke Nagashima, Daisuke Tsuji, Dick "Skip" Evans, Eijiro Ozaki, Evan Ellingson, Hallock Beals, Hiro Abe, Hiroshi Tom Tanaka, Hiroshi Watanabe, Ikuma Ando, Jeremy Glazer, Jonathan Oliver Sessler, Kazunari Ninomiya, Kazuyuki Morosawa, Ken Kensei, Ken Watanabe, Kirk Enochs, Koji Wada, London Kim, Luke Eberl, Mark Moses, Mark Ofuji, Mark Tadashi Takahashi, Masashi Nagadoi, Masashi Odate, Masayuki Yonezawa, Mathew Botuchis, Michael Lawson, Mitsuyuki Oishi, Nobumasa Sakagami, Roxanne Hart, Ryan Carnes, Ryan Kelley, Ryo Kase, Ryoya Katsuyama, Shido Nakamura, Shoji Hattori, Sonny Saito, Steve Santa Sekiyoshi, Taishi Mizuno, Takashi Yamaguchi, Takuji Kuramoto, Takumi Bando, Toshi Toda, Toshiya Agata, Tsuguo Mizuno, Tsuyoshi Ihara, Wanliss E. Armstrong, Yoshi Ando, Yoshi Ishii, Yoshi Tomo Kaneda, Yoshio Iizuka, Yukari Black, Yuki Matsuzaki, Yutaka Takeuchi

  • Crítica

    16/02/2007 00h00

    Antes de mais nada, é importante falar um pouco sobre o projeto ao qual pertence Cartas de Iwo Jima. Idealizado por Clint Eastwood, que também assina a direção, tratam-se de dois filmes - este e A Conquista da Honra - que mostram lados opostos de um mesmo conflito. Em 1945, durante a Segunda Guerra Mundial, a ilha de Iwo Jima, no Japão, foi de extremo significado estratégico para ambos os países. O local era ponto de partida para a campanha norte-americana em território japonês. Portanto, último forte do território japonês antes da ilha principal ser invadida. Os dois filmes formam um panorama abrangente e extremamente humano desta passagem na história mundial, mostrando a visão de soldados de ambos os lados. Complementares, formam um painel completo, que passa longe do maniqueísmo comum na maioria dos filmes que relatam conflitos bélicos.

    O roteiro é baseado no livro Pictures Letters From Commander In Chief, com cartas do general Tadamichi Kuribayashi, compiladas na publicação por Tsuyoko Yoshida. Juntas, revelam características pessoais de alguns dos envolvidos no conflito em Iwo Jima, especialmente o general, interpretado por Ken Watanabe (O Último Samurai). A história do filme, portanto, é contada principalmente pelo ponto de vista do militar, destacado para comandar os soldados que defenderiam a ilha japonesa da invasão norte-americana. Ele revela em sua correspondência suas ansiedades e um pouco dos acontecimentos durante o mês que esteve no local defendendo sua pátria.

    A ilha de Iwo Jima, cujo terreno infértil fez com que ela fosse quase que desabitada por japoneses, foi bastante importante estrategicamente para definir os rumos do conflito. A história de Cartas de Iwo Jima começa alguns dias antes da chegada dos soldados norte-americanos na fétida terra. Lá, recebem a função de explorar as cavernas do local, trabalhando o terreno para a recepção do inimigo. Dentre os soldados japoneses, é destacada pelo roteiro a figura de Saigo (Kazunari Ninomiya), um jovem padeiro recrutado para a guerra que está prestes a ter o primeiro filho. Em suas cartas, revela seu maior desejo: sobreviver para voltar à família. O mesmo de tantos outros cidadãos que participam da campanha na ilha.

    Os personagens de Cartas de Iwo Jima são compostos de forma extremamente humana. É exatamente este o lado do conflito que Clint Eastwood pretende mostrar: mais do que homens de capacete que carregam uma arma e têm como objetivo eliminar inimigos, são pessoas com desejos, traumas, enfim, uma história. Por isso, esta produção foge do convencional em se tratando de filmes de guerra. Além de ter belas imagens relacionadas ao embate entre os dois lados do conflito, é capaz de envolver o espectador por conta da força da história conduzida pelos personagens. Principalmente em se tratando do general e o soldado, dois lados tão extremos dentro da hierarquia da guerra e tão unidos por conceitos universais, como o medo, a honra e o amor pela família.

    Afinal, independente da hierarquia, todos são os mesmos numa guerra. Se Saigo não sabe muito bem por que está ali no começo do filme, defendendo aquela terra fedida e infértil, ele aprende que tipo de interesses está em jogo. Mais do que uma ilha, Iwo Jima e sua defesa estão relacionadas ao futuro do império japonês. Culturalmente, a figura do imperador entre os cidadãos do Japão é idolatrada quase que cegamente, numa relação que beira a religiosa, o que Saigo aprende na medida em que o filme é concluído. O personagem de Kuribayashi apresenta uma evolução contrária à do padeiro: na medida em que a guerra caminha, ele é capaz de aceitar a vitória mais num âmbito pessoal do que como seu dever enquanto general do exército imperial.

    A honra e a família começam a ganhar um papel maior em suas motivações, ao mesmo tempo em que o fato dele conhecer a cultura norte-americana por ter vivido nos EUA é essencial para guiar seus atos. Por isso, na medida em que o filme evolui, outra importante questão é fragilizada no duelo entre nações: a nacionalidade em si, já que os personagens humanizam-se durante o mês de conflito na ilha, questão vidente não somente em Cartas de Iwo Jima, mas também em A Conquista da Honra.

    Por isso, as duas produções são complementares e essenciais para que haja o entendimento completo do tipo de narrativa que Eastwood desenvolve. O diretor demonstra ter a sensibilidade ideal para mostrar esses valores na tela. A fotografia apagada, que só ganha vida, ironicamente, no vermelho do sangue derramado e da bandeira japonesa, reforça a visão em relação ao conflito: são mínimos os momentos de vida numa guerra. Mas eles existem e é esse o foco principal do filme.

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