CARTOLA

CARTOLA

(Cartola)

2006 , 88 MIN.

10 anos

Gênero: Documentário

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Hilton Lacerda, Lírio Ferreira

    Equipe técnica

    Roteiro: Hilton Lacerda, Lírio Ferreira

    Produção: Clélia Bessa, Hilton Kauffmann

    Fotografia: Aloysio Raulino

    Trilha Sonora: Cartola

    Estúdio: Globo Filmes, Raccord Produções

    Distribuidora: RioFilme

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Uma boa notícia: o Brasil está deixando de ser um país sem memória. Graças à intensa produção de documentários, aos poucos vamos apagando do nosso próprio inconsciente coletivo aquela velha ladainha que somos um país que desconhece o seu passado.

    Agora, chega às telas de cinema o documentário Cartola, um importante registro da vida, obra e universo de um dos nossos maiores compositores. Um dos fundadores da Mangueira, em 1928, sambista de altíssima categoria e boêmio convicto, Agenor de Oliveira, o popular Cartola, só chegou a gravar seu primeiro disco aos 65 anos. E isso graças à boa vontade e ao espírito pesquisador do produtor musical Marcus Pereira, que desenvolvia um seríssimo trabalho de regate cultural das tradições musicais brasileiras (e que acabou cometendo suicídio anos depois).

    A trajetória de Cartola é contada pelos cineastas pernambucanos Hilton Lacerda e Lírio Ferreira, respectivamente roteirista e diretor de Árido Movie. Ambos procuram dar ao tema um tratamento de cores inusitadas, recorrendo a artimanhas cinematográficas que por vezes funcionam bem, por vezes nem tanto. Mostrar - literalmente - o Brasil andando para trás, no período da ditadura, soa um pouco colegial, ao mesmo tempo em que recorrer à tela totalmente negra para ilustrar uma fase obscura do personagem consegue um impacto interessante.

    Há espaço também para alguma reconstituição ficcional (idéia que os cineastas parecem abandonar no meio do caminho) e testemunhos emocionados e emocionantes. Em determinadas cenas, Cartola se utiliza do próprio cinema para tecer comentários visuais sobre o tema enfocado. Como, por exemplo, usar cenas de Rio 40 Graus para ilustrar o problema dos "compositores de aluguel" e da compra e venda de sambas.

    Entre erros e acertos, o filme tem o mérito inquestionável de levantar não apenas fatos da vida e belos momentos musicais de Cartola, como também retratar a própria alma carioca (em particular) e brasileira (por extensão) do período de vida do compositor. Chega a ser um belo retrato do próprio século 20, num empolgante resgate de imagens históricas.

    A memória brasileira agradece.

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