CASA GRANDE

CASA GRANDE

(Casa Grande)

2014 , 115 MIN.

14 anos

Gênero: Drama

Estréia: 16/04/2015

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Fellipe Barbosa

    Equipe técnica

    Roteiro: Fellipe Barbosa

    Produção: Clara Linhart, Iafa Britz

    Fotografia: Pedro Sotero

    Estúdio: Migdal Filmes

    Montador: Karen Sztajnberg, Nina Galanternick

    Distribuidora: Imovision

    Elenco

    Bruna Amaya, Clarissa Pinheiro, Georgiana Góes, Marcello Novaes, Suzana Pires, Thales Cavalcanti

  • Crítica

    20/10/2014 22h16

    A família que protagoniza Casa Grande diz muito sobre o Brasil. Reacionários, dominadores e acostumados a relações de servidão, eles refletem muito do modo de viver e pensar das elites dominantes desse país. Em seu primeiro longa de ficção, Fellipe Barbosa traz uma crítica mordaz, inteligente e muito bem construída das relações de trabalho e afeto construídas por essa realidade.

    Casa Grande é um filme sobre uma queda, simbolizada pela derrota financeira de seu protagonista. Acostumado ao luxo e requinte, Hugo (Marcello Novaes) está enfrentando uma crise provocada pela compra de fundos de investimento que não renderam o esperado. A mulher Sônia (Suzana Pires) e o filho Jean (Thales Cavalcanti) serão as maiores vítimas desse momento, já que toda a família terá que abrir mão do conforto com que sempre viveram.

    Jean estuda no Colégio São Bento, reduto da elite carioca. O filme retrata esse universo escolar com grande precisão, mostrando não apenas o desenvolvimento de relações de lealdade e amizade entre os meninos, mas também instigando o espectador a pensar sobre como é controverso a educação desses jovens acontecer dentro de um ambiente ainda tão fechado. 

    Superprotegido pelos pais, Jean conserva muito da irresponsabilidade de um garoto de 15 anos. A nova lógica obriga o personagem a viver novas experiências, como andar de transporte público pela primeira vez. É lá que ele conhece Luiza (Bruna Amaya), com quem vive seu primeiro romance ao mesmo tempo em que vive novas descobertas sexuais e começa a construir sua própria identidade. Mas, será que é possível entender o mundo sem as influências do meio em que se vive?

    O que Casa Grande tem de mais interessante é seu humor ácido, fácil de perceber na observação de seus coadjuvantes. A empregada doméstica que recebe Jean todas as noites em seu quarto escondido nos fundos da mansão, o motorista vindo do nordeste que ouve forró no carro de luxo durante o trabalho, o amigo que está preocupado mais com a barriga definida do que com os estudos. Cada um desses personagens encorpa o roteiro e permite ao diretor discutir com suavidade os temas apresentados.

    Esses temas acontecem na tela porque apostam sempre em um tom provocador Na melhor delas, uma discussão sobre cotas raciais durante um churrasco de família, podemos ver o quanto de mágoa as elites alimentam pela diminuição de seus privilégios. Outros momentos emblemáticos acontecem quando Jean acredita que Luiza mora na Rocinha por culpa da cor da sua pele ou quando a patroa não aceita o pedido de demissão da empregada. Racismo, machismo e a institucionalização da dominação abraçam o texto muito bem escrito pelos roteiristas.

    Se O Som Ao Redor mostrou a insistente presença no corolonelismo na classe média nordestina, Casa Grande vai além. O filme de Fellipe Barbosa retrata, com sensibilidade e humor, o modo de vida e o pensamento de uma classe que insisite em reagir contra a justiça social. Por isso, o filme é desconfortável, ainda que seja necessário.

    Esse fluente diálogo entre ficção e realidade é algo que torna Casa Grande um dos melhores filmes nacionais dos últimos tempos.

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