Pôster de Casal Improvável

CASAL IMPROVÁVEL

(Long shot)

2019 , 116 MIN.

16 anos

Gênero: Comédia

Estréia: 20/06/2019

página inicial do filme
  • Ficha técnica

    Direção

    • Jonathan Levine

    Equipe técnica

    Roteiro: Dan Sterling

    Produção: Charlize Theron, Evan Goldberg, James Weaver, Seth Rogen

    Fotografia: Yves Bélanger

    Trilha Sonora: Marco Beltrami, Miles Hankins

    Estúdio: Good Universe, Point Grey Pictures

    Distribuidora: Paris Filmes

    Elenco

    Alexander Skarsgård, Andy Serkis, Arthur Holden, Aviva Mongillo, Boyz II Men, Charlize Theron, Gabrielle Graham, Garett Pringle, Hamza Haq, Holden Wong, James Hicks, James Saito, June Diane Raphael, Nathaly Thibault, O'Shea Jackson Jr., Randall Park, Ravi Patel, Seth Rogen, Tristan D. Lalla, Xiao Sun

  • Crítica

    30/07/2019 12h31

    Por Sara Cerqueira

    Com roteiros geralmente simples, charmosos, engraçadinhos e que trabalham de forma muito parecida a idealização que temos do amor romântico, comédias românticas são capazes de provocar reações muito duais: ou as pessoas suspiram e se apaixonam junto com o casal ou viram os olhos e morrem de tédio com a previsibilidade dos acontecimentos.
    Tenho que admitir que faço parte do segundo grupo de pessoas. O gênero mais fofinho de todos nunca me despertou tanto interesse, mas, como qualquer outro gênero cinematográfico, ele é mais que capaz de quebrar estereótipos e ir além das convenções. Nada melhor que ver seu preconceito ser revertido e se transformar em uma experiência cinematográfica muito agradável.

    Em Casal Improvável, mais novo longa do diretor Jonathan Levine, o roteiro abusa de uma fórmula já bastante explorada por diretores e roteiristas do gênero: o surgimento do amor entre pessoas que são totalmente opostas. Aqui, Charlotte Field (interpretada por Charlize Theron) é uma mulher inteligente, desenvolta e estonteante, que trabalha como secretária do Estado e almeja se tornar a primeira presidenta dos Estados Unidos. Seu par? Fred Flarsky (Seth Rogen), um jornalista desajustado e atrapalhado, sempre em busca de furos jornalísticos. Quando Charlotte decide contratar Fred para escrever seus discursos de campanha, eles se apaixonam e precisam manter o romance em segredo para não prejudicar a carreira de Charlotte.

    Aqui, a comédia e os comentários sociais são o foco do longa. Já logo na primeira cena, vemos o jornalista Fred dentro de uma reunião de neonazistas, tentando extrair informações para uma de suas pautas. Tentando agir como um infiltrado, ele se atrapalha e acaba revelando suas verdadeiras intenções por não conseguir simular empolgação com os discursos de ódio às minorias, em uma cena incrivelmente cômica. A partir daí, vemos uma sequência de criticas à política estadunidense, a misoginia da grande mídia, à indústria hollywoodiana e à manipulação de informações.

    Outro elemento interessante que o filme se utiliza para mesclar comicidade e pensamento crítico é a inversão de papeis de gênero. Aqui, o personagem Fred incorpora todas as características geralmente atribuídas às personagens femininas de comédias românticas: inadequação, pouca influência social e financeira e timidez. Já Charlotte é desenvolta, sedutora, rica e influente, características que vemos com mais frequência nos "príncipes encantados" de romances.
    O trabalho do cast é muito bom. A química entre os personagens principais é realmente perfeita. Charlize Theron entrega uma mulher ambiciosa, divertida e cativante, que tenta unir suas ideologias à sua vida política. Já Seth Rogers encarna um estereotipo muito conhecido do estilo "trapalhão", sempre se metendo em problemas, mas que, no fundo, tem um bom coração.

    O único ponto negativo que pode ser questionado no longa é a utilização do humor pastelão em algumas cenas sem nenhuma necessidade. Tombos de escada, situações irreais demais (até para uma comedia romântica), conflitos infantis entre os personagens e outros elementos acabam deixando algumas cenas sem graça, o que é um bocado perigoso para um filme de comédia, mesmo que seja romântica.

    Mesmo com cenas problemáticas, Casal Improvável é eficiente no que se compromete a fazer: trazer novos ares e comentários relevantes para um gênero um bocado desgastado.

Deixe seu comentário
comments powered by Disqus