CASAMENTO SILENCIOSO

CASAMENTO SILENCIOSO

(Nunta mută)

2008 , 87 MIN.

Gênero: Drama

Estréia: 03/07/2009

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Horatiu Malaele

    Equipe técnica

    Roteiro: Adrian Lustig, Horatiu Malaele

    Produção: Vlad Paunescu

    Fotografia: Vivi Dragan Vasile

    Trilha Sonora: Alexandru Andries

    Estúdio: Castel Film Studio

    Distribuidora: Imovision

    Elenco

    Alexandru Bindea, Alexandru Potocean, Doru Ana, George Ivascu, George Mihaita, Iona Anastasia Anton, Luminita Gheorghiu, Meda Andreea Victor, Serban Pavlu, Tamara Buciuceanu, Valentin Teodosiu, Vasile Albinet, Victor Rebengiuc

  • Crítica

    29/06/2009 12h12

    Há filmes que merecem ser assistidos por causa de apenas uma cena. Casamento Silencioso é um deles. Os 87 minutos de filme são instigantes, mas uma sequência em particular torna o longa romeno muito mais que um bom filme.

    Esta sequência é a que justifica o título em português do filme. Num vilarejo, Nara (Meda Andreea Victor), a inocênte, e Iancu (Alexandru Potocean), o conquistador, acabam de oficializar o casamento. Grigore (Valentin Teodosiu), o pai da garota, prepara a festa. Quando todos estão prontos para comemorar, um oficial russo aparece repentinamente e proíbe a realização da celebração. Por que? Era 5 de março de 1953, data da morte de Stálin, então líder da União Soviética (que comandou a Romênia da Segunda Guerra Mundial até a Queda do Muro de Berlim).

    Contar o que acontece nas sequências seguintes seria um sacrilégio, tirar doce da boca da criança. Porém, não seria exagero afirmar que esse trecho é um dos mais bonitos da história do cinema. Justifica a existência de um filme e se constitui como mais uma produção a reafirmar a inventividade do cinema romeno, exibida aos brasileiros nos recentes A Leste de Bucareste, Como Festejei o Fim do Mundo e 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias.

    Casamento Silencioso usa a comédia e a ironia como metáfora da sensação de prisão. A cena de celebração do casamento é cômica e triste, ao mesmo tempo. Representa, sem precisar falar, a sensação do diretor Honoratiu Malaele: fomos silenciados! Em uma sequência, expressa isso com tanta força que nos sentimos romenos entre meados dos anos 40 e final dos anos 80, período em que tudo na Romênia passava pelo crivo soviético.

    Metafórico, o filme recorre ao absurdo para construir trechos em que o espectador, estarrecido, vai dizer: “oi?”. O estranhamento permeia diálogos e personagens, alguns sem pé nem cabeça. Mas Malaele, em sua estreia como diretor de cinema, busca ser compreendido e usa um gênero de fácil digestão, a comédia, para tratar de um tema nem um pouco digerível, a impossibilidade de falar e como reagimos à falta de liberdade. Casamento Silencioso é inspirador e instigante. Um filme único.

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