CAVALO DE GUERRA

CAVALO DE GUERRA

(War Horse)

2011 , 145 MIN.

12 anos

Gênero: Drama

Estréia: 06/01/2012

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Steven Spielberg

    Equipe técnica

    Roteiro: Lee Hall, Richard Curtis

    Produção: Kathleen Kennedy, Steven Spielberg

    Fotografia: Janusz Kaminski

    Trilha Sonora: John Williams

    Estúdio: Amblin Entertainment, DreamWorks SKG, Reliance Entertainment, The Kennedy/ Marshall Company, Touchstone Pictures

    Distribuidora: Walt Disney Pictures

    Elenco

    Benedict Cumberbatch, Celine Buckens, Chris Bowe, Christian Black, Connor Byrne, Cookie Cook, David Kross, David Thewlis, Eddie Marsan, Edgar Canham, Eliot Farmer, Elliot Holroyd, Emily Watson, Geoff Bell, Hannes Wegener, Harry Lacey, Irfan Hussein, James Currie, Jeremy Irvine, JohnJohnson, Leonhard Carow, Mark Shrimpston, Martin Dew, Michael Archer, Michael Koltes, Michael Kranz, Nicolas Bro, Niels Arestrup, Patrick Kennedy, Pauline Stone, Peter Benedict, Peter Mullan, Pip Torrens, Rainer Bock, Sarah Jane O'Neill, Toby Kebbell, Tom Hiddleston

  • Crítica

    04/01/2012 13h40

    Após o desastre chamado Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal, Steven Spielberg volta para trás das câmeras e apresenta no início de 2012 uma dobradinha: As Aventuras de Tintim: O Segredo do Licorne e Cavalo de Guerra. A existência do primeiro, voltado principalmente ao público infantil, permitiu ao cineasta explorar com mais liberdade temas comuns em sua filmografia - como amadurecimento, confrontos familiares e até mesmo a violência da guerra - no segundo. No entanto, Cavalo de Guerra decepciona ao não confiar na força de sua história e apelar para a emoção fácil.

    Os primeiros cinco minutos servem como sinal de alerta. Nesta sequencia inicial, o jovem Albert Narracott, personagem de Jeremy Irvine, testemunha o nascimento do cavalo que virá a ser seu companheiro durante o filme. Como não estamos familiarizados com nenhum dos personagens, a relação entre eles não possui, por enquanto, valor dramático suficiente para tomar ares de narrativa épica.

    Porém, a bela trilha criada por John Williams sugere outra coisa. Pelo que estamos ouvindo, e pelo que Irvine tenta forçosamente transmitir, está se desvelando na frente de nossos olhos um dos acontecimentos mais emocionantes da história. O momento é importante, claro, pois trata-se do primeiro encontro entre os dois principais personagens do filme. Seria completamente compreensível, caso esta supervalorização do momento não se repetisse incessantemente durante o filme, banalizando as emoções do espectador.

    Cavalo de Guerra não somente pede pra você se emocionar. Ele implora. O que é uma pena, pois Spielberg conta uma história rica o suficiente por si só. Temos, por exemplo, o pai que tenta superar a pobreza e a dificuldade de cuidar de sua família. O azarão que chega ao lar como sinal de má sorte. O carrasco dono das terras. A mãe durona. O ganso briguento. A inevitável e trágica separação, quando o animal finalmente é enviado para a Guerra e também o amadurecimento de Albert, disposto a se voluntariar no Exército para reencontrar seu amigo.

    É justamente nesta necessidade de amadurecer que o filme cresce. O momento em que Joey parte para a guerra é decisivo. Sai o tom piegas da primeira parte, que tinha como principal ponto positivo a bela fotografia de Janusz Kamiński, e entra um resquício do tipo de cinema que tornou Spielberg famoso. O cavalo passa a ser o fio condutor por uma série de situações que mais parecem vinhetas, como se fossem pequenos contos, que eventualmente o transformarão em um Cavalo de Guerra.

    Individualmente, estas cenas em que Joey está perdido do lado errado mostram relances daquele hábil e manipulador Spielberg, capaz de emocionar plateias facilmente. Seja no conto dos garotos jovens demais para as responsabilidades da guerra, da menina madura demais para a gravidade de seus problemas ou do próprio sofrimento a que os animais eram submetidos na época, temos um sinal de que o bom e velho diretor de E.T. – Extraterrestre ainda vive.

    Próximo ao final vemos uma das mais belas cenas dos 146 minutos de projeção. Nela, o cavalo fica preso entre os dois lados da guerra. A impressão é que Spielberg, assim como Joey, criou sua própria Terra de Ninguém. De um lado das trincheiras está o hábil manipulador do início da carreira, enquanto, do outro, o visceral contador de histórias de O Resgate do Soldado Ryan. Como no filme, as duas partes se ajudam e, ainda que a combinação não seja perfeita, funciona.


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