CAVERNA DOS SONHOS ESQUECIDOS

CAVERNA DOS SONHOS ESQUECIDOS

(Cave of Forgotten Dreams)

2010 , 90 MIN.

Gênero: Documentário

Estréia: 25/01/2013

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Werner Herzog

    Equipe técnica

    Roteiro: Werner Herzog

    Produção: Erik Nelson

    Fotografia: Peter Zeitlinger

    Trilha Sonora: Ernst Reijseger

    Distribuidora: Zeta Filmes

  • Crítica

    17/01/2013 17h33

    O cineasta Werner Herzog chegou a um nível diferente dos demais documentaristas. Seu nome é associado a um estilo próprio de filmar, no qual o diretor pode surgir à frente da câmera e criar identificação com o espectador.

    Em Caverna dos Sonhos Esquecidos, ele mantém sua assinatura. Os aspectos citados acima estão presentes e a tradicional narrativa em off é usada à exaustão. Porém, Herzog decidiu inovar e experimentar um pouco da tecnologia do momento: os efeitos em terceira dimensão.

    Muito foi falado a respeito, parte da imprensa internacional considerou o 3D algo primoroso, porém o tão aguardado efeito não vai além do razoável. Filmado com equipamento tradicional, o efeito foi totalmente realizado na pós-produção do longa, ou seja, temos apenas profundidade de tela, nada comparável às produções hollywoodianas ou ainda ao documentário Pina, uma verdadeira obra-prima do gênero.

    Apesar de ser cultuado por algo que não é – uma utilização inovadora do 3D – o filme é muito bem realizado e, sem dúvidas, tem momentos marcantes. Herzog explora como ninguém as pinturas rupestres da caverna Chauvet, na França. Descoberta no final de 1994, virou ponto de referência para pesquisadores de todo o mundo por ser o sítio arqueológico mais antigo que o homem tem conhecimento, com aproximadamente 32 mil anos.

    Protegido a sete chaves por órgãos do governo e preservado a todo custo por especialistas, o local foi fechado a praticamente todos os visitantes depois de alguns murais terem sido danificados. Atualmente as visitas são realizadas apenas por pessoas autorizadas, sem contato direto com os painéis de milhares de anos.

    Todo esse cuidado dificultou o trabalho do cineasta. Ele não teve acesso a diversos ambientes da caverna e viu-se obrigando a repetir certas imagens, sob diversos ângulos, durante os 90 minutos de exibição do longa. Infelizmente, essa abordagem se torna cansativa e cria uma sensação de déjà vu.

    As transições também deixam a desejar. Apostando em tom leve, ao tentar reproduzir as piscadas do olho humano o diretor faz uso de fade in e fade out algumas dezenas de vezes, transformando o efeito em algo obsoleto e repetitivo.

    Entre prós e contras, Caverna dos Sonhos Esquecidos é um bom documentário, mas nada de extraordinário como muitos tentam vender. Sem dúvidas é um grande trabalho de pesquisa e possui montagem bastante interessante. Conclusão: mais um ponto positivo para a extensa carreira de Herzog, que já gravou outros quatro filmes posteriores a este, entre eles o ótimo Into the Abyss (2011).

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