Pôster do filme Chamada a Cobrar

CHAMADA A COBRAR

(Chamada a Cobrar)

2012 , 72 MIN.

Gênero: Drama

Estréia: 21/06/2013

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Anna Muylaert

    Equipe técnica

    Roteiro: Anna Muylaert

    Produção: Anna Muylaert, Caio Gullane, Débora Ivanov, Fabiano Gullane, Gabriel Lacerda

    Fotografia: Marcelo Trotta

    Trilha Sonora: Rica Amabis, Tejo Damasceno

    Estúdio: Dezenove Som e Imagem

    Montador: André Finotti

    Distribuidora: Gullane Filmes

    Elenco

    Bete Dorgam, Cida Almeida, Lourenço Mutarelli, Marat Descartes, Maria Manoella, Pierre Santos

  • Crítica

    18/06/2013 19h10

    Bem que podia ser só thriller, talvez funcionasse, mas a diretora Anna Muylaert resolveu inserir crítica social na trama. Mau hábito de cineasta brasileiro com dificuldade em apenas entreter quando é preciso. Mania de não querer perder a oportunidade de tentar dizer algo, de levantar alguma bandeira. Nada contra, desde que o resultado convença. Não é, definitivamente, o que ocorre no instável Chamada a Cobrar.

    Produzido originalmente como telefilme com o título de Para Aceitá-la, Continue na Linha, para a telona o longa ganha ares de road movie com pegada de thriller psicológico. A tensão que poderia ser extraída da desventura da protagonista, no entanto, ser esvai quando o filme começa a flertar com questões sociais. Estas, tratadas de maneira ingênua, por vezes soam como panfleto de algum partido radical de esquerda.

    A protagonista é Clara (Bete Dorgam), dona de casa de classe média alta que vive numa confortável casa de alto padrão em São Paulo. Logo de cara o filme a vende como uma mulher fútil, um tanto tola até, dependente de sua empregada doméstica até para dar o próximo passo. Ela será vítima de um golpe que ficou bem conhecido anos atrás no Brasil, o chamado falso sequestro.

    Recebe uma ligação a cobrar, passa ingenuamente informações aos bandidos, e estes a convencem que estão em poder de uma de suas três filhas. A partir daí, desesperada, Clara empreende uma via-crúcis que inclui pegar seu carro, comprar cartões de telefone para os bandidos e viajar para o Rio de Janeiro enquanto é orientada por um deles sobre os próximos passos a seguir.

    Na Dutra, ela e seu algoz - espécie de Robin Hood tupiniquim - travam pelo celular diálogos nonsenses em que o bandido com propensão a ativista político assume o discurso da diretora. Com típico linguajar de marginal, imputa a culpa do que está acontecendo à vítima (!). Os diálogos sofríveis, risíveis às vezes, tratam até mesmo da vida sexual da protagonista.

    Levianamente, o filme põe na conta da classe média (o alvo da vez) a criminalidade de que é vítima. Talvez por humilharem seus empregados domésticos, por ignorarem esses trabalhadores que sofrem nas filas dos hospitais públicos. "Agora que estou com um fuzil na mão", diz o marginal, "vocês me ouvem".

    Todo humanismo, sensibilidade e razão, por outro lado, estão concentrados na empregada doméstica de Clara, a única que percebe que algo está acontecendo, que convence suas filhas, indiferentes em suas rotinas burguesas, de que algo de errado se passa com a mãe.

    Chamada a Cobrar faz apenas esboço das personalidades supostamente contraditórias das filhas de Clara, expondo-as numa discussão breve com troca de acusações de lado a lado. Não convence. No Rio, já se sabendo vítima de um golpe, Clara ajuda uma jovem pobre levando-a em seu carro para dar à luz. O nascimento do bebê seria uma metáfora (simplória, diga-se) de seu próprio renascimento e tomada de consciência para a realidade que a cerca.

    Podia ser só thriller, infelizmente, não é. No final das contas, Chamada a Cobrar surpreende apenas por sabermos que sua diretora é a mesma do ótimo Durval Disco. O que aconteceu, Anna?

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