CHE

CHE

(Che: Part One/ The Argentine)

2008 , 131 MIN.

12 anos

Gênero: Drama

Estréia: 27/03/2009

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Steven Soderbergh

    Equipe técnica

    Roteiro: Peter Buchman

    Produção: Benicio Del Toro, Laura Bickford

    Fotografia: Steven Soderbergh

    Trilha Sonora: Alberto Iglesias

    Estúdio: Guerrilla Films, Laura Bickford Productions, Ministerio de Cultura, Morena Filmes, Telecinco, Wild Bunch

    Elenco

    Al Espinosa, Alba Caraballo, Alejandro Carpio, Alejandro Renteria, Alex Manette, Alfredo De Quesada, Ana Maria Andricain, Andres Munar, Andres Santiago Bravo, Aris Mejias, Armando Riesco, Armando Suárez Cobián, Aurelio Lima, Benicio Del Toro, Blanca Lissette Cruz, Bruno Bichir, Bryant Huffman, Carlitos Ruiz Ruiz, Carmen Mahiques, Catalina Sandino Moreno, Christian Nieves, Demián Bichir, Diego Arria, Doel Alicea, Édgar Ramírez, Eduardo Cortés, Elvira Minguez, Elvis Nolasco, Ernesto Faxas, Eugenio Monclova, Fernando Gutiérrez Vargas, Francisco Cabrera, Franklin Díaz, Georgina Borri, Gerardo Albarrán, Guillermo Ríos, Io Bottoms, Israel Lugo Graniela, Javier Ortiz, Jay Potter, Jerry Nelson Soto, Joaquín Méndez, Joe Urla, Joksan Ramos, Jon DeVries, Jorge Armando, Jorge Perugorría, Jose A. Nieves, Jose Brocco, Jose Caro, Jose Cotte, José Luis Gutiérrez, Jsu Garcia, Juan Carlos Arvelo, Juan Pedro Torriente, Julia Ormond, Julio Cesar Morales, Kahlil Mendez, Laura Andújar, Leonardo Castro, Leslie Lyles, Liddy Paoli Lopez, Luis Alberto García, Luis Alfredo Rodríguez Sánchez, Luis Gonzaga Hernandez, Luis Rosario, Manuel Cabral, María Isabel Díaz, Marisé Alvarez, Mateo Gómez, Meg Gibson, Michael Countryman, Miguel Angel Suarez, Miguel Rodarte, Milo Adorno, Monique Gabriela Curnen, Naya Tanya Rivera, Néstor Rodulfo, Norman Santiago, Octavio Gómez Berríos, Omar Chagall, Oscar A. Colon, Oscar De La Fe Colon, Oscar Isaac, Othello Rensoli, P.J. Benjamin, Pablo Guevara, Pablo Venegas Colón, Pedro Adorno, Pedro Telémaco, Rafa Alvarez, Rafael Simón, Ramiro Garza Balboa, Ramon Fernandez, Rene Lavan, Ricardo Alvarez, Roberto Santana, Roberto Urbina, Rodrigo Santoro, Roy Sánchez-Vahamondes, Sam Robards, Santa Fe Osmin Hernandez, Santiago Cabrera, Sheridan Lowell, Stephen Mailer, Teofilo Torres, Unax Ugalde, Victor Angulo Villacis, Victor Rasuk, Victoria Espinosa, Vladimir Cruz, Xaiex Arriaga, Xavier Antonio Morales, Yamil Collazo, Yul Vazquez

  • Crítica

    27/03/2009 00h00

    Che é um projeto ousado: produzido desde 2000 por Steven Soderbergh e Benicio Del Toro - nascido quando trabalharam juntos em Traffic -, trata-se de dois filmes (este e Che - A Guerrilha) que abrangem dois períodos distintos na vida do revolucionário argentino Ernesto Guevara, mas que representam o espírito político do personagem. Produzidos para serem lançados separadamente, foram exibidos pela primeira vez no Brasil juntos numa maratona de 258 minutos no Festival de Cannes e agora na 32ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo como o filme de encerramento.

    Che é baseado em dois livros escritos por Guevara: Reminiscences of the Cuban Revolutionary War ("Reminiscências da Guerra Revolucionária Cubana") - que deu base ao roteiro da primeira parte, assinado por Peter Buchman - e O Diário do Che na Bolívia. Este último livro possui anotações de onze meses - de novembro de 1966 a outubro de 1967 -, desde que Che chegou à Bolívia até a sua morte, em 9 de outubro de 1967, e deu base ao roteiro de A Guerrilha, assinado por Buchman e Benjamin A. Van der Veen.

    A narrativa de Che tem início em 1954, no México, quando Guevara (brilhantemente interpretado por Benicio Del Toro) conhece Raúl Castro (o brasileiro Rodrigo Santoro, brilhando cada vez mais em sua diversificada carreira internacional), que logo o apresenta a seu irmão mais velho, Fidel Castro (Demián Bichir, assustadoramente parecido com o líder cubano). Juntos, partem para Cuba, onde lutaram contra o presidente cubano Fulgencio Batista até 1959, quando Batista exilou-se em São Domingos e Castro instaurou um regime socialista em Cuba.

    A história é notória e não interessa muito em Che; o que interessa é investigar os meandros dos acontecimentos. Ou seja, como e por que Guevara - apelidado de Che por conta de um vocativo utilizado também na Argentina - resolveu ser mais revolucionário do que médico. O início desse direcionamento de interesse pode ser visto em Diários de Motocicleta, filme dirigido em 2004 pelo brasileiro Walter Salles; seu desenvolvimento, conclusões e conseqüências são explorados em Che.

    Che e A Guerrilha são dois capítulos complementares da história de Guevara que se complementam. A primeira parte é mais focada nos sucessos e nos motivos do revolucionário ter experimentado a fama mundial - refletida em seus discursos na ONU e na recepção que teve em sua viagem a Nova York em 1964. Mesmo tendo um posicionamento bastante claro, no qual acusava o imperialismo norte-americano de causar a miséria em povos da América Latina, Guevara foi recebido como um herói no país e até hoje é símbolo da revolução cubana.

    Grande parte da ação de ambos os episódios se passam nas florestas, onde Guevara e suas equipes tramaram as conquistas e derrotas revolucionárias. É interessante observar como o protagonista está sempre preocupado em articulações que levassem a uma independência maior de países da América Latina, independente de fronteiras, contra a dominação sócio-econômica dos EUA. Política mantida firmemente pelo governo de Fidel Castro que acabou sendo derrubada recentemente com a abertura de Cuba. Ou seja, é um conceito já morto e enterrado, mas bastante pertinente de ser retomado num trabalho como Che que, mesmo morto há 40 anos, ainda é bastante vivo na memória contemporânea por meio não somente de camisetas e bandeiras, mas pelos seus ideais. Pelo menos é isso que a produção tenta retomar.

    Impossível não falar da belíssima e já citada atuação de Benicio Del Toro como o revolucionário. Experiente e notoriamente talentoso, ele sabe segurar a onda muito bem de encarnar esse verdadeiro símbolo da História moderna, além de ser bastante parecido com Che Guevara, o que ajuda. Não à toa, recebeu o prêmio de Melhor Ator no último Festival de Cannes.

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