CHEGA DE SAUDADE

CHEGA DE SAUDADE

(Chega de Saudade)

2008 , 92 MIN.

14 anos

Gênero: Drama

Estréia: 21/03/2008

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Laís Bodanzky

    Equipe técnica

    Roteiro: Luiz Bolognesi

    Produção: Caio Gullane, Fabiano Gullane

    Fotografia: Walter Carvalho

    Trilha Sonora: Eduardo Bid

    Estúdio: Gullane Filmes

    Elenco

    Betty Faria, Cássia Kiss, Elza Soares, Maria Flor, Paulo Vilhena, Stepan Nercessian, Tônia Carrero

  • Crítica

    21/03/2008 00h00

    Chega de Saudade, segundo longa-metragem dirigido por Laís Bodansky (O Bicho de Sete Cabeças), desenvolve um recorte da sociedade brasileira pouco explorado pelo cinema: os salões de baile. Bastante populares em São Paulo, atraindo um público que já está na terceira idade, os "bailes da saudade", como são conhecidos, são vistos com uma forma humana e sensível por esta obra de ficção, baseado em roteiro original de Luiz Bolognese.

    O título do longa, Chega de Saudade, relaciona-se diretamente à forma como estas festas são vistas pelos não-freqüentadores, como "bailes da saudade". Os personagens do filme, inteiramente baseados em figuras reais que os realizadores e pesquisadores encontraram em seu trabalho na construção do drama, não giram em torno do seu passado, mas vão aos bailes para viver o presente. O "independentemente da idade" seria fácil e óbvio nesta sentença, mas é exatamente isso que o filme se propõe a tratar. A festa que ocorre durante o desenvolvimento da trama é mero artifício de ambientação para que lá transitem personagens ricos, fascinantes e honestos.

    As histórias e personagens de Chega de Saudade circulam numa única e intensa noite num baile paulistano. O filme insere completamente o espectador nessa festa ao mostrar com cuidado desde os primeiros preparativos para o evento, a instalação do som, a chegada do DJ (interpretado por Paulo Vilhena) e também a chegada dos que pretendem se divertir a noite, que começa antes mesmo do sol se por. A rotina no baile é pré-definida: as pessoas já se conhecem, já dançaram juntas e sabem o que esperar da noite. No entanto, a presença de uma jovem curiosa - Bel (Maria Flor), namorada do DJ - é capaz de acender sentimentos intensos nos personagens principais que, apesar de adormecidos, nunca deixaram de existir.

    Merece destaque a fotografia do drama, assinada pelo mestre Walter Carvalho (Baixio das Bestas, O Céu de Suely). As câmeras são posicionadas de tal maneira no salão que o espectador sente-se completamente inserido na noite que o filme retrata. O público dança e sente da mesma forma em que os personagens interagem entre si e com a música durante o evento. A trilha sonora, de BiD, conta com clássicos da gafieira e outros ritmos que ditam Chega de Saudade. O filme trata temas difíceis - como a libido e a sensualidade presentes no baile - de uma forma delicada e honesta.

    O elenco de Chega de Saudade reúne atores de diferentes gerações, trazendo desde Tônia Carrero - sem atuar em cinema há 18 anos - e Leonardo Villar (Ação entre Amigos) até os jovens Maria Flor (Proibido Proibir) e Paulo Vilhena (O Magnata), passando por Betty Faria (Bens Confiscados), Cássia Kiss (Meu Nome Não É Johnny) e Stepan Nercessian (Deus é Brasileiro). Juntos, representam este painel tão diverso, de emoções transbordantes, formado pelos ricos e complexos personagens do longa-metragem. Personagens esses que, com sua complexidade, dão a base necessária para que Chega de Saudade torne-se um filme único, correspondendo à altura a complexidade dos temas que se propõe retratar.

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