CIDADÃO BOILESEN

CIDADÃO BOILESEN

(Cidadão Boilesen)

2009 , 92 MIN.

Gênero: Documentário

Estréia: 27/11/2009

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Chaim Litewski

    Equipe técnica

    Roteiro: Chaim Litewski

    Distribuidora: Imovision

  • Crítica

    25/11/2009 11h41

    Apesar de já ter chamado a atenção tanto do cinema de ficção como documental, a ditadura militar brasileira (1964-85) ainda tem uma série de facetas que precisa ser abordadas e desnudas.

    Fato que torna Cidadão Boilesen uma ótima contribuição para o entendimento de um dos temas menos tratados: a participação e o apoio dos empresários à repressão. Mas, por favor, não se engane: o filme de Chaim Litewski passa longe do didatismo histórico. É cheio de ritmo, movimento, vida. Ultrapassa a importância histórica e chega ao valor cinematográfico com extrema facilidade.

    Para falar do macro, Litewski optou pelo micro: contar a história de Henning Albert Boilesen, dinamarquês que se mudou para o Brasil em 1942, aos 24 anos. Naturalizou-se brasileiro em 1959, ingressou na contabilidade da Ultragás, galgou postos e se tornou presidente do Grupo Ultra. Foi assassinado em 15 de abril de 1971, uma quinta-feira, em uma ação organizada pela ALN (Ação Libertadora Nacional) e MRT (Movimento Revolucionário Tiradentes) como “justiçamento” por sua ligação com a repressão.

    Ao falar de Boilesen, óbvio que o filme esbarra em outros casos, como Sebastião Camargo (fundador da construtora Camargo Corrêa), Pery Igel (Grupo Ultra), Amador Aguiar (fundador do Bradesco).

    O grande mérito de Cidadão Boilesen é caprichar na pesquisa, nas entrevistas (e nas escolhas dos entrevistados) e traduzir isso em um filme com elementos pop, interessante de assistir. Um longa que se aproxima tanto de um senhor de 60 anos como de um jovem de 18 anos.

    Litewski e sua equipe realizaram um extenso trabalho de pesquisa. Foram à Dinamarca para investigar a infância e juventude de seu personagem, conversaram com amigos de Boilesen, obtiveram arquivos do SNI (Serviço Nacional de Informações) brasileiro, entrevistaram o filho do dinamarquês, militantes que organizaram a ação, tentaram obter documentos da CIA, conversaram com articuladores da Oban (Operação Bandeirantes) e ainda enfrentaram o reacionário Erasmo Dias. Mas a cereja do bolo é o depoimento do coronel Carlos Alberto Brilhante Ulstra, um dos maiores símbolos da tortura ao lado do delegado Sérgio Paranhos Fleury.

    A lista é longa, mas o filme não. Cidadão Boilesen é um importante capítulo da relação cinema e ditadura. Investe as fichas em um dos temas menos tratados, o apoio dos empresários à repressão militar, e mantém um frescor narrativo. É sério, mas nunca sisudo. Profundo, sem pedantismo. Necessário, mas de maneira alguma chato.

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