CIDADES DE PAPEL

CIDADES DE PAPEL

(Paper Towns)

2015 , 108 MIN.

12 anos

Gênero: Aventura

Estréia: 09/07/2015

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Jake Schreier

    Equipe técnica

    Roteiro: Michael H. Weber, Scott Neustadter

    Produção: John Green, Marty Bowen, Wyck Godfrey

    Fotografia: David Lanzenberg

    Trilha Sonora: Ryan Lott

    Estúdio: Fox 2000 Pictures, Temple Hill Entertainment

    Montador: Jacob Craycroft

    Distribuidora: Fox Film

    Elenco

    Austin Abrams, Caitlin Carver, Cara Buono, Cara Delevingne, Griffin Freeman, Halston Sage, Hannah Alligood, Jaz Sinclair, Jim R. Coleman, Josiah Cerio, Justice Smith, Madeleine Murden, Meg Crosbie, Mehmet Korhan, Nat Wolff

  • Crítica

    08/07/2015 18h15

    Por Iara Vasconcelos

    Dizem por aí que John Green é o novo Nicolas Sparks. O autor e vlogger de 37 anos, conhecido por seus romances adolescentes, consegue a façanha de emplacar uma obra atrás da outra entre as mais vendidas e algumas delas ainda viram sucessos das telonas. Foi assim como A Culpa É Das Estrelas, agora com Cidades De Papel, sem falar na adaptação prevista para 2016 de "Quem é você Alasca? ".

    Mas o que faz as obras de Green serem tão bem-sucedidas entre seu público alvo? Simples, ele deu ao seu nicho aquilo que ele pedia. Estando tão presente na internet, o autor conhecia muito bem o mundo das "fics" e dos "ships". As pessoas que pertencem a esse universo podem rejeitar, sem hesitar, ler um livro de 150 páginas, mas passariam horas e horas lendo fanfictions na web. Então, porque não aproveitar esses elementos, mesclá-los com clichês da adolescência e adicionar um drama mais pesado como doença ou morte para adultizar a história? Essa é a fórmula que tem dado certo independente das críticas.

    O argumento principal de Cidades de Papel tem clichê escrito em letreiro picante. Na trama, o jovem Quentin (Nat Wolff) é apaixonado pela vizinha Margot (Cara Delevingne) desde a infância, mas os dois possuem personalidades muito diferentes. Com o passar do tempo e a chegada da adolescência, os dois vão cada um para o lado, seguindo o curso tradicional dessa fase que é se separar em tribos, as quais dificilmente se misturam com as outras.

    Nat Wolff vive o jovem que é a síntese do "nerd" galã dos filmes românticos. Quentin é introvertido, tem poucos amigos, não frequenta festas, é fanático por Pokémon, mas ainda assim é atraente, o típico "fofo", sempre sorridente, sempre compreensível. O que prova que cada vez mais Hollywood tem deixado para trás a figura dos óculos de armação grossa, acne e aparelho nos dentes. 

    Já Margot é uma garota rebelde. Apesar de ser extremamente popular e desejada, ela não se encaixa no mundo das garotas "barbie". Ela é forte, decidida, impulsiva e crítica ao ambiente ao seu redor. A personagem vem para trazer novamente o estereótipo da "Manic Pixie dream girl", garotas de espírito livre, que não se preocupam com a aparência (apesar de serem sempre bonitas), inteligentes, que aparecem no caminho do protagonista masculino para ajudá-lo a ter uma grande mudança de comportamento. Alguns exemplos de MPDG do cinema: Ramona Flowers (Scott Pilgrim), Sam (As Vantagens de ser invisível), Summer (500 Dias com Ela) e muitas outras. O bacana é que essa "trope" é desconstruída. As pessoas percebem que Margot não é perfeita, nem um "milagre", como Quentin acreditava, é apenas vítima da idealização das pessoas sobre ela.

    Mas o grande acerto de Cidades de Papel é o fato de que ele funciona. O filme tem seus momentos de comédia, de road movie, suspense, romance e crises existenciais, além de uma pitada de saudosismo e tudo isso se combina de forma positiva. É realmente surpreendente porque a maioria dos espectadores do cinema provavelmente estarão divididos entre fãs do livro, pessoas desavisadas e que escolheram o filme aleatoriamente e aquelas que estão lá a contragosto acompanhando alguém, e para os dois últimos casos o filme entrega um resultado consistente.
    É leve, você nem sente o tempo passar, e ainda te diverte em vários momentos, capaz de derrubar a antipatia de muita gente pelo gênero ou até pelo próprio John Green.

    Para quem não leu o livro, o fato de Margot não ser exatamente a protagonista do longa também causa espanto. Ela passa a maior parte da trama "sumida", dando espaço para que outros personagens, como o trio de amigos liderado por Quentin e até sua amiga patricinha de infância, se desenvolvam sem que suas histórias tirem o foco principal do filme.

    Cidades De Papel ainda sofre com premissa batida do "garoto/garota nerd se apaixona por garota/garoto mais popular da escola", mas consegue amenizar isso com sua variedade de gêneros e seus personagens bem trabalhados. No final, acaba sendo um cavalo de Tróia positivo.

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