Críticas

Veja o que esperar das novidades nas telonas e estreias com os comentários da nossa equipe especializada.

CILADA.COM

(Cilada.Com, 2010)

Estrela ativa Estrela ativa Estrela ativa Estrela ativa Estrela inativa Estrela inativa Estrela inativa Estrela inativa Estrela inativa Estrela inativa
05/07/2011 17h05
por Roberto Guerra
Entre seus significados, o verbo lapidar é definido como “tornar algo apresentável”, “aperfeiçoar isso ou aquilo”. Em arte não se trata de preciosismo, é quase necessidade. Ao final pode-se não ter uma obra-prima em mãos, mas, ao menos, tem-se um trabalho bem acabado. Uma boa lapidação, é disso que precisava o filme Cilada.com, longa originado do programa Cilada, exibido pelo canal a cabo Multishow entre 2005 e 2009.

Se fosse melhor moldado, Cilada.com não seria um filme imprescindível, mas certamente seria reconhecido como uma comédia romântica eficiente. Não é. Admito: tem bons momentos e leva o espectador ao riso por vezes. Cinema, no entanto, é conjunto e o todo de Cilada.com é pedra bruta. Enxerga-se valor ali, mas ele não vem à tona. Seu brilho se esconde por trás de um roteiro que peca algumas vezes pelos excessos, outras tantas pela falta de discernimento e – lamentavelmente - pelo mau gosto.

No longa, Bruno Mazzeo interpreta o publicitário Bruno, que vê sua vida se transformar num inferno depois de ser flagrado traindo a namorada Fernanda (Fernanda Paes Leme). Ela, para se vingar, publica na internet um vídeo íntimo do casal que faz com que Bruno vire alvo de piadas dos amigos de trabalho. Daí em diante o filme dirigido por José Alvarenga Jr (Divã e os dois Os Normais) bebe na fonte das comédias românticas norte-americanas, incorporando sem medo todos os clichês possíveis ao gênero. E isto, definitivamente, não é o maior problema da produção, afinal, é preciso ser muito “mala” para exigir inovação e fuga do lugar-comum em comédia romântica.

As deficiências de Cilada.com estão nos abusos, nas piadas e esquetes que não funcionam, no humor de gosto duvidoso. Faltou uma avaliação mais criteriosa do que incluir ou não no longa. É fato que a comédia hoje encontra forte apelo no consumo de massa e é extremamente apreciada por grande parte do público da indústria do entretenimento. E também é verdade ser difícil analisar, cientificamente, o que faz uma pessoa rir ou o que é engraçado ou não. Gente, com frequência, não consegue achar as mesmas coisas engraçadas. No entanto, bons realizadores de comédias conseguem chegar a um denominador comum. Em Cilada.com, infelizmente, isso não acontece.

Em tempo: num dos mais infelizes momentos do filme, o personagem de Bruno Mazzeo sonha estar numa reunião de autoajuda para homens com ejaculação precoce. Alguém achou que vê-los ejacularem em seus próprios rostos seria engraçado. Não, não é. Como não são outros momentos totalmente dispensáveis do filme.

FAVORITAR

crítica NÃO FAVORITADA

COMPARTILHE:

COMENTAR

comments powered by Disqus