CILDO

CILDO

(Cildo)

2009 , 78 MIN.

Gênero: Documentário

Estréia: 24/09/2010

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Gustavo Moura

    Equipe técnica

    Produção: Ana Murgel, Fernanda Marques, Gustavo Rosa de Moura, Mariana Ferraz

    Fotografia: Alberto Bellezia

    Estúdio: Matizar

    Distribuidora: VideoFilmes

  • Crítica

    23/09/2010 12h55

    Em determinada cena, Cildo Meireles, o artista plástico que dá nome ao documentário de Gustavo Rosa de Moura, diz com toda a propriedade algo mais ou menos assim (cito de memória): “Minha arte não abre espaço algum para elucubrações críticas que não estejam diretamente relacionadas pelo que eu quero discutir e isso dificulta o trabalho dos críticos”.

    Sim, algumas obras de arte têm esse poder em relação aos críticos. Alguns filmes também, como diversos de John Ford, Howard Hawks, Kenji Mizoguchi, Ida Lupino, Raoul Walsh, Leo McCarey e tantos outros cineastas clássicos. Trata-se da arte na essência, econômica, sem arestas, o conteúdo propagado da maneira mais direta e hábil possível, a história contada pelo filme atingindo o espectador com toda a força que ela tem, sem intermediários, sem necessidade de bula.

    Não sei se a arte de Cildo é assim. Não sou crítico de arte. Penso que não, pois a abertura que parece existir por trás de cada trabalho seu parece exigir uma resposta igualmente elucubrativa. Mas posso estar enganado.

    Certamente, o documentário Cildo tenta se afiliar a essa tendência de não deixar espaço para elucubrações do crítico e me parece que consegue. Em troca, despe-se de arroubos formais para se encaixar com precisão dentro do espírito que norteia a carreira de Meireles: o de combate, de inconformismo com institucionalizações e reducionismos.

    Só não sei ao certo se isso faz bem ao filme. Adequar-se ao trabalho de Cildo transforma a coisa em algo de uma única via, sem um questionamento, ou melhor, sem a possibilidade clara de questionamento. Este pode até vir, mas do espectador contra o filme, nunca contra a obra de Meireles.

    Sei que não é fácil fazer um documentário sobre outra arte e atingir esse poder de questionar essa arte de dentro, passando a possibilidade para o espectador. Alain Resnais conseguiu em alguns curtas sobre pintura, sensivelmente em Guernica, mas em outros não. Se Cildo, o filme, é fácil de se ver, é porque não se arrisca, não ousa quebrar o pacto implícito que há entre biógrafo e biografado. Não procura nada além de se servir da obra do artista para construir a sua, de maneira eficaz, mas sem percalços. Disso resulta uma certa traição, pois se a intenção era se adequar ao espírito de Meireles, seria salutar se abrir ao risco como suas obras o faziam, e não é o que acontece.

    Cildo tem belos achados estéticos, alguns lampejos de criatividade e é sóbrio, para o bem e para o mal. Talvez um pouco de embriaguez o fizesse bem.

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