Poster filme

CINCO GRAÇAS

(Mustang)

2015 , 97 MIN.

14 anos

Gênero: Drama

Estréia: 21/01/2016

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Deniz Gamze Ergüven

    Equipe técnica

    Roteiro: Alice Winocour, Deniz Gamze Ergüven

    Produção: Charles Gillibert

    Fotografia: David Chizallet, Ersin Gok

    Trilha Sonora: Warren Ellis

    Estúdio: CG Cinéma

    Montador: Mathilde Van de Moortel

    Distribuidora: Pandora Filmes

    Elenco

    Ayberk Pekcan, Aynur Komecoglu, Bahar Kerimoglu, Burak Yigit, Doga Zeynep Doguslu, Elit Iscan, Erol Afsin, Günes Sensoy, Ilayda Akdogan, Kadir Celebi, Müzeyyen Celebi, Nihal G. Koldas, Rukiye Sariahmet, Serife Kara, Serpil Reis, Suzanne Marrot, Tugba Sunguroglu

  • Crítica

    21/01/2016 17h10

    Por Iara Vasconcelos

    Ser adolescente é realmente complicado, mas ser uma menina adolescente em uma sociedade patriarcal como a Turquia é uma experiência totalmente diferente e limitante. A adolescência é uma fase detestada por quase todo mundo, seja pelas mudanças hormonais, pela liberdade limitada ou pela pressão de não ser mais uma criança, mas estar longe de se tornar um adulto. Entretanto, não há como negar que algumas de nossas melhores lembranças advém exatamente desse período da vida. 

    A diretora Franco-Turca Deniz Gamze Ergüven não vivenciou na pele esse cotidiano, já que se mudou do país quando ainda era pequena, mas com certeza conhece a carga que é ser uma mulher jovem dentro dessa cultura e é através do olhar de cinco jovens irmãs turcas que ela fala sobre essa experiência em Cinco Graças.

    Lale, Nur, Ece, Selma e Sonay são inseparáveis, frequentam a mesma escola, dormem no mesmo quarto, dividem os segredos, e principalmente compartilham a alegria de viver. Mas as cinco garotas sabem que ser mulher, dentro de sua cultura, delineará suas vidas para sempre.

    Ao passo que elas vão ficando mais velhas, a casa onde vivem com a avó e o tio - seus pais morreram em um acidente - se transforma em uma verdadeira fábrica de "esposas". Proibidas de sair e de brincar, elas são submetidas a aulas de cozinha, corte e costura e comportamento, idealmente submissivo. Não demora muito para que as mais velhas sejam pedidas em casamento e a casa vá ficando cada vez mais vazia.

    As Cinco Graças, porém, têm sangue nas veias e cada regra quebrada, por mais pequena que seja, é um sinal de subversão. Ás vezes, a rebeldia está em modelar o vestimenta "modesta" imposta pela avó, outras vezes é fugir para assistir a um jogo de futebol ou até " ludibriar" a castidade obrigatória para o casamento.

    Cinco Graças tem uma construção narrativa fantástica. O filme começa com uma bela paisagem natural turca, uma ode à liberdade, e vai se estreitando como um funil, ao passo que as irmãs ficam cada vez mais encarceradas à aquela situação, se tornando insuportavelmente claustrofóbico.  

    A direção de Ergüven também merece ser destacada pela construção bem definida da personalidade de cada uma das irmãs e por não mostrar a avó como antagonista, já que ela segue o que também lhe foi imposto e ensinado no passado.

    O longa não é apenas relevante, ele é essencial, não só porque situações absurdas como essa, e a epidemia do casamento infantil, atinge países ainda em desenvolvimento, como o próprio Brasil, mas também porque ele valoriza as experiências dessas garotas. Ao longo do filme, é muito fácil se perder nos pensamentos sobre quantas oportunidades foram perdidas por elas e por tantas outras jovens com a mesma história de vida.

    Cinco Graças é o candidato francês para levar a estatueta de "Melhor Filme Estrangeiro" no Oscar 2016, e ainda que não seja um dos favoritos, é reconfortante saber que um filme feito por mulheres e sobre mulheres tenha ido tão longe.

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