CINE MAJESTIC

CINE MAJESTIC

(The Majestic)

2001 , 153 MIN.

Gênero: Drama

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Frank Darabont

    Equipe técnica

    Roteiro: Michael Sloane

    Produção: Frank Darabont

    Fotografia: David Tattersall

    Trilha Sonora: Mark Isham

    Estúdio: Castle Rock Entertainment, Darkwoods Productions, NPV Entertainment, Village Roadshow Pictures

    Elenco

    Allen Garfield, Amanda Detmer, April Ortiz, Bill Gratton, Bob Balaban, Bob Wells, Brent Briscoe, Brian Howe, Bruce Campbell, Carl Reiner, Catherine Dent, Chelcie Ross, Cliff Curtis, Csilla Horvath, Daniel von Bargen, David Ogden Stiers, Earl Boen, Frank Collison, Garry Marshall, Gerry Black, Ginger Williams, Grant Vaught, Hal Holbrook, James Whitmore, Jeffrey DeMunn, Jim Carrey, Julie Richardson, Karl Bury, Ken Magee, Kevin DeMunn, Larry Cox, Laurie Holden, Mario Roccuzzo, Martin Landau, Matt Damon (voz), Michael Sloane, Paul Mazursky, Rob Reiner (voz), Ron Rifkin, Scotty Leavenworth, Shawn Doyle, Susan Willis, Sydney Pollack (voz)

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Hollywood, anos 50. Peter Appleton (Jim Carrey) é um roteirista de cinema em busca do sucesso. Suas idéias podem até ser boas, mas são constantemente subvertidas pelos grandes produtores que insistem em, por exemplo, colocar um cachorrinho na história para vender mais ingressos. O público adora, dizem eles. Apesar dos percalços, Peter está otimista e sua carreira tem tudo para decolar. Até o momento em que ele é acusado de comunista - pecado mortal para a época - e sua vida se transforma num inferno. Em poucas horas, Peter perde o emprego, a namorada e até a memória, após um acidente de automóvel. De um instante para outro, Peter Appleton já não sabe mais quem é. Ele acorda solitário numa pequena cidade e tem toda uma vida para reconstruir. Ou toda uma nova vida para inventar.

    Há basicamente duas formas diferentes e antagônicas de analisar Cine Majestic. Ele pode ser considerado como (1) um grande melodrama patriótico que tenta levantar a moral norte-americana após os atentados de 11 de setembro ou (2) uma crítica a um grande melodrama patriótico que tenta levantar a moral norte-americana após os atentados de 11 de setembro.

    Primeiro a opção 1: Cine Majestic é claramente melodramático. Mexe nas feridas da Segunda Guerra Mundial, pinta o país com a ingenuidade das cores dos anos 50, tem uma narrativa totalmente clássica e tradicional. Mais para o final, ele escancara o patriotismo, toca o hino americano, dá closes na bandeira, fala de honra e liberdade, e assumidamente se inspira nos filmes que Frank Capra dirigia nos anos 30, visando combater o período da Grande Depressão (como Do Mundo Nada se Leva, O Galante Mr. Deeds, A Felicidade Não Se Compra, A Mulher Faz o Homem, etc.). É até possível ver um pôster de A Felicidade Não se Compra numa cena de Cine Majestic. Olhando sob este prisma, é um prato cheio para a crítica cair matando.

    Agora a opção 2: O filme se inicia com uma cena sarcástica, em que produtores de Hollywood discutem as idéias mais esdrúxulas para tornar um roteiro mais comercial (colocar o tal cachorrinho, por exemplo). De uma certa forma, isso explica ou até desautoriza toda a patriotada que se verá a seguir. De uma certa maneira, iniciar Cine Majestic criticando acidamente os executivos do cinema abre espaço para uma visão mais aprofundada do que será visto adiante. É como se o diretor Frank Darabont (o mesmo do ótimo Um Sonho de Liberdade) acenasse para a platéia dizendo: "Viu gente? Antes de colocar um filme no mercado a gente passa por estas coisas. Então, não levem a sério o que vocês verão a seguir, ok?"

    De uma forma ou de outra, é inegável que Cine Majestic é emocionante. O roteiro de Michael Sloane (que só havia escrito um filme na vida antes e isso há mais de dez anos) prepara armadilhas emocionais quase impossíveis de serem evitadas. Entre elas, o reencontro dramático de um pai com seu suposto filho, uma cidade inteira que chora por seus garotos mortos na Guerra, um velho cinema que se reabre. Como não derramar uma ou outra lágrima?

    Infelizmente, porém, Cine Majestic foi rejeitado pelo público norte-americano: faturou minguados US$ 27 milhões nas bilheterias dos Estados Unidos, apenas um terço de seu custo. O diretor deveria ter colocado um cachorrinho...

    Por ser um filme que tem o próprio cinema como pano de fundo, Cine Majestic faz uma série de pequenas brincadeiras e homenagens ao mundo cinematográfico. Exemplo: o ídolo de ouro que Khalid usa como arma no fictício "Piratas de Areia no Saara" é exatamente o mesmo objeto usado por Steven Spielberg na cena de abertura de Caçadores da Arca Perdida. Outro: o filme que inspirou a personagem Adele a se tornar uma advogada foi Emile Zola, protagonizado por Gloria Holden em 1936; pois Gloria é avó de Laurie Holden, atriz que vive Adele em Cine Majestic.

    E uma última curiosidade: a fictícia cidade de Lawson, onde se passa praticamente todo o filme, na realidade se chama Ferndale, fica na Califórnia, foi fundada em 1852, tem cerca de 1.400 habitantes e é considerada uma cidade histórica.

    3 de abril de 2002
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    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. [email protected]

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