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CINQUENTA TONS DE CINZA

(Fifty Shades of Grey)

2015 , 125 MIN.

16 anos

Gênero: Drama

Estréia: 12/02/2015

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Sam Taylor-Johnson

    Equipe técnica

    Roteiro: E.L. James, Kelly Marcel

    Produção: Dana Brunetti, E.L. James, Michael De Luca

    Fotografia: Seamus McGarvey

    Trilha Sonora: Danny Elfman

    Estúdio: Focus Features, Michael De Luca Productions, Trigger Street Productions

    Montador: Lisa Gunning

    Distribuidora: Universal Pictures

    Elenco

    Andrew Airlie, Ann Wu-Lai Parry, Anna Louise Sargeant, Anne Marie DeLuise, Anthony Konechny, Brent McLaren, Callum Keith Rennie, Chad Fortin, Dakota Johnson, Dylan Neal, Eloise Mumford, Emily Fonda, Jamie Dornan, Jason Cermak, Jason Verner, Jennifer Ehle, Jo Wilson, John Specogna, Jordan Gardiner, Julia Dominczak, Kirt Purdy, Luke Grimes, Marcia Gay Harden, Matthew Hoglie, Max Martini, Megan Danso, Peter Dwerryhouse, Rachel Skarsten, Raj Lal, Reese Alexander, Rita Ora, Steven Cree Molison, Tom Butler, Victor Rasuk

  • Crítica

    11/02/2015 18h40

    O nome Erika Leonard James parece familiar para você? É mais provável que não, mas com certeza a maioria já deve ter ouvido falar de E.L. James, pseudônimo da escritora britânica – e ex-executiva de TV – autora do best-seller erótico Cinquenta Tons de Cinza. A obra teve seu início como despretensiosa FanFiction da saga Crepúsculo e trazia uma versão mais apimentada do romance entre a jovem Bella e o vampiro Edward, mas não demorou muito e o texto se tornou sucesso. Migrou para um site próprio e, mais tarde, para as páginas de um livro, tornando-se verdadeiro fenômeno com quase 20 milhões de cópias vendidas ao redor do globo.

    O anúncio da adaptação de Cinquenta Tons De Cinza, dirigida por Sam Taylor-johnson, foi cercado por sentimentos mistos, sendo recebido com entusiasmo pelos fãs e com desdém por aqueles que consideram o livro como literatura inútil e acreditam no estigma pejorativo de "Mommy Porn" (pornô para mamães) que o mesmo carrega. Mas não há como negar que o filme atraiu os olhares atentos daqueles que desejavam observar seu triunfo ou ter certeza de sua derrota - e isso é comprovado pelos altos números de ingressos vendidos na pré-estreia americana.

    A trama acompanha a jovem e virginal Anastasia Steele, vivida pela quase novata de Hollywood Dakota Johnson, filha dos atores Melanie Griffith e Don Johnson. Dakota consegue encarnar bem o papel da tediosa e pacata estudante – o que nos leva a pensar que tanto pode ser fruto de uma boa atuação ou apenas sua característica natural. Já seu companheiro de cena, Jamie Dornan, tenta desesperadamente transpassar a aura imponente do personagem, mas acaba entregando uma atuação bastante caricatural, com caras e bocas que fazem jus a máxima "Parece um olhar sedutor, mas é só miopia".

    As famosas cenas de sexo, mesmo que bem trabalhadas como as do "Quarto Vermelho da Dor" e suas paredes forradas de veludo, são escassas e bastante mecânicas. Inclusive, é nesse ambiente que ocorre um dos furos de roteiro mais intrigantes: Apesar de toda a ação, os personagens não aparentam sequer suar. Outro mistério que ronda o longa é como o empresário dominador consegue encontrar sua submissa, esteja ela onde estiver, sem ao menos saber o endereço?

    Ao longo da trama, fica claro que Cinquenta Tons De Cinza não é sobre fetichismo, tão pouco sobre sexo em sua forma mais sacana, como é sugerido no livro. Apesar da máscara de progressista e moderninho, a trama se rende aos velhos clichês do romance, tão comuns quanto perigosos, de relacionamentos entre homem e mulher, em especial aqueles com uma forte disparidade de poder entre os dois, entrando em embate com sérias questões de gênero.

    Grey tem tudo, enquanto Ana não tem nada. Isso se faz presente tanto no campo material quanto no pessoal, e é expresso em detalhes sutis, como na diferença entre o celular, de modelo bastante ultrapassado, da moça e o moderno iPhone do empresário e nos automóveis que os dois dirigem, e no fato de que Christian tem uma experiência sexual bastante vasta – no filme ele revela ter tido cerca de 15 submissas – enquanto a moça ainda é virgem.

    A relação entre Ana e Christian não é semelhante apenas a de Crepúsculo, mas também a clássicos como A Bela E A Fera, O Fantasma Da Ópera  e tantos outros no qual o personagem masculino é apresentado como um ser frio, aparentemente monstruoso, que tem na raiz de seu comportamento um trauma familiar. Em contraposição a ele está a personagem feminina, apaziguadora e dotada de doçura que adota para si a missão de mudar se parceiro através do amor.

    Se alguém acreditava que Cinquenta Tons De Cinza poderia ser um novo clássico erótico, colocou suas expectativas em patamar muito alto. No final das contas, o filme se apresenta como aquilo que pretendia ser: Um conto de fadas insosso, com roupagem aparentemente moderna e adornado por belos atores, fator que deve apelar ao público mais jovem. Afinal, não dá para plantar uma E.L. James e colher um Marquês de Sade.

    + Confira nosso especial do aguardado Cinquenta Tons de Cinza



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