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CINQUENTA TONS MAIS ESCUROS

(Fifty Shades Darker, 2017)

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08/02/2017 16h34
por Iara Vasconcelos

E.L. James colocou seu nome no hall dos escritores mais rentáveis com sua trilogia best-seller Cinquenta Tons De Cinza. O trabalho da autora pode não agradar muita gente, mas é inegável que a série de livros não passou despercebida, tanto que a sua empreitada nos cinemas rendeu uma bilheteria mundial de US$ 571 milhões.

Agora, o romance nada convencional entre o bilionário sádico Christian Grey (Jamie Dornan) e a tímida e boa moça Anastasia Steele (Dakota Johnson) chega em sua segunda parte com a promessa de desvendar alguns mistérios lançados no primeiro filme.

A priori, a relação entre os dois está abalada depois que Ana se deu conta de que Grey sentia prazer em subjugá-la. Entretanto, o ricaço trata logo de mandar um belo arranjo de flores para a casa dela, amolecendo o seu coração. Ela então aceita jantar com ele e os dois reatam sob a promessa de viver um relacionamento baunilha, ou seja, sem toda a dinâmica do BDSM envolvida.

Claro que não demora muito para percebermos que Grey continua sendo um controlador/stalker de primeira, que descobre até os dados pessoais dela e deposita US$ 24 mil em sua conta corrente sem sua permissão (que problemão!). Para garantir o status de "independente" da personagem, Ana faz coisas do tipo pagar a conta de um café da manhã e doar os US$ 24 mil dólares para a instituição de caridade da família de Grey. Mesmo assim, ela acaba deixando de ir a happy-hours com os colegas de trabalho e até viajar com seu chefe para uma feira de livros em Nova York, tudo para não despertar ciúmes no rapaz. Pelo menos, o chefe dela se mostra um escroto de primeira, compensando toda a situação.

O grande problema dessa sequência é que sua trama vai de nada a lugar nenhum. O filme tenta forçar um drama a respeito do passado de Grey, que viu sua mãe viciada em craque morrer e foi abusado sexualmente por Elena (Kim Basinger), uma amiga mais velha de sua mãe adotiva. Mas com isso, E.L. James acaba admitindo indiretamente que o comportamento do bilionário nada tem a ver com uma preferência sexual, mas sim com prováveis problemas psicológicos. Se essa é a intenção desde o início, por qual razão o relacionamento de Ana e Grey é tão romantizado? Por que ele não está procurando ajuda médica ao invés de uma nova submissa?

Para sermos justos, o filme traz um pouco dessa problematização em uma das cenas, quando Elena diz a Ana que Grey só está procurando alguém para preencher o vazio em sua vida, mas isso não é aprofundado de nenhuma forma, visto que a personagem é praticamente uma vilã, cujos esforços são voltados para separar o casal. Com direito a cena final digna de novela mexicana.

Nesse segundo filme, Anastasia prova de vez ser uma personagem fraca e indecisa. Ao contrário da forma como ela se posicionou no desfecho de Cinquenta Tons de Cinza, no qual indicava um amadurecimento. Na realidade, vemos uma mulher confusa e sem muita iniciativa, que continua com as mesmas dúvidas do passado e muda de opinião facilmente diante de presentes caros, vestidos de princesa e floreios. Já o tipão "misterioso" de Grey se mostra cada vez menos convincente.

As cenas de sexo, que acabam sendo a "grande atração" da franquia, são contidas e desprovidas daquela sensualidade e tom de flerte do filme anterior, onde os personagens descobriam os corpos um do outro, usavam de privação sensorial, brincavam com o gelo e acessórios variados. Pelo contrário, aqui transar aparece como resposta para tudo. Seja um desentendimento ou uma comemoração entre o casal.

O diretor James Foley se mostra mais competente que Sam Taylor-Johnsson em conduzir a narrativa de modo conciso e sem tantos erros de continuidade, entretanto tudo que a cerca parece pouco inspirado, a exemplo de alguns arcos mal explicados como o aparecimento da ex-namorada psicótica de Grey.

Se Cinquenta Tons De Cinza falhou como clássico erótico, Cinquenta Tons Mais Escuros se consolida como romance açucarado, com direito a dramas, idas e vindas e sexo no chuveiro. Só faltou beijo na chuva.

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Iara Vasconcelos

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