CÓDIGO DESCONHECIDO

CÓDIGO DESCONHECIDO

(Code Inconnu: Recit Incomplet De Divers Voyages)

2000 , 118 MIN.

14 anos

Gênero: Drama

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Michael Haneke

    Equipe técnica

    Roteiro: Michael Haneke

    Produção: Alain Sarde, Marin Karmitz

    Fotografia: Jürgen Jürges

    Trilha Sonora: Giba Gonçalves

    Elenco

    Alexandre Hamidi, Djibril Kouyaté, Helene Diarra, Juliette Binoche, Luminita Gheorghiu, Ona Lu Yenke, Sepp Bierbichler, Thierry Neuvic

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Numa esquina qualquer de Paris, um rapaz francês, branco, joga um pedaço de papel usado em cima de uma pedinte. Revoltado com a cena, um jovem negro vai tirar satisfações. Briga. Confusão. Polícia. O rapaz negro é preso, a pedinte é deportada e o jovem branco é liberado. A partir deste fato, até certo ponto corriqueiro, Código Desconhecido monta um painel de situações que compõem o cotidiano de vários personagens que direta ou indiretamente se envolvem no episódio.

    A narrativa é fragmentada. O diretor Michael Haneke (premiado esta semana em Cannes por seu filme A Pianista) monta a narrativa como um quebra-cabeças. Há “peças” (cenas) fortes e geniais, com deslumbrantes planos-seqüência e marcantes interpretações. Há outras peças não tão vibrantes. Mas, no final, todas se encaixam com muita arte e eficiência.

    Ao contrário do que possa parecer, Código Desconhecido não é exatamente uma crítica ao racismo. Como o título já entrega, é um filme sobre como cada pessoa – ou cada grupo de pessoas – lida com seus códigos de comunicação. Na trama, várias línguas se misturam (inclusive a dos surdos-mudos), numa Babel que também inclui códigos sociais, psicológicos e, não por acaso, até uma cena de dublagem.

    Em termos formais, Haneke se permite alterar o próprio código cinematográfico ao qual as platéias se acostumaram. Sua montagem é ousada, interrompe frases na metade e/ou deixa rolar a câmera em momentos em que – aparentemente - nada acontece. Um estilo inovador que merece a atenção de quem curte uma boa e saudável subversão dos códigos – desconhecidos ou não – do cinema convencional.

    24 de maio de 2001
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    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rede Bandeirantes de Televisão, Canal 21, Band News e Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. [email protected]

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