COISA DE MULHER

COISA DE MULHER

(Coisa de Mulher)

2005 , 97 MIN.

14 anos

Gênero: Comédia

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Eliana Fonseca

    Equipe técnica

    Roteiro: Carmen Frenzel, Cláudia Ventura, Eliana Fonseca, Lucília Assis, Suzana Abranches

    Produção: Diler Trindade

    Fotografia: José Guerra

    Trilha Sonora: Ary Sperling

    Elenco

    Adriane Galisteu, Cacá Amaral, Carmen Frenzel, Cláudia Ventura, Daniel Boaventura, Eliana Fonseca, Evandro Mesquita, Gustavo Ottoni, Juan Alba. Convidada especial: Hebe Camargo, Lucília de Assis, Suzana Abranches

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Coisa de Mulher é o filme que marca a inserção do canal de TV SBT na produção de longas-metragens. Confesso que desde o começo tentei não fazer prejulgamentos. Por mais que tenha sido dirigido por Eliana Fonseca (Eliana e o Segredo dos Golfinhos), juro que me despi dos preconceitos ao entrar na sessão, o que não adiantou nada, uma vez que é forte candidato a pior filme do ano. Coisa de Mulher é daquelas produções capazes de deixar qualquer espectador constrangido do início ao fim com suas piadas batidas e situações patéticas.

    A história gira em torno de Murilo (Evandro Mesquita), jornalista cheio de dívidas que não consegue nem mesmo realizar seu trabalho direito. Sua função também não é das melhores: com o codinome de Cassandra, ele assina uma coluna numa revista feminina. A pergunta é: que tipo de pessoa dá a função para um homem de escrever sobre os desejos e anseios da mulher moderna? Uma editora como Loreta (Eliana Fonseca), que, além de ter dado esse emprego nada ideal a Murilo, lhe empresta um apartamento inativo. Tudo para ter um espacinho no céu. Mas a sorte do jornalista muda quando ele conhece no prédio vizinhas completamente diferentes. Cada uma representa algumas das aspirações das mulheres modernas.

    Catarina (Lucília de Assis) é uma mulher casada. Com dois filhos, luta para cuidar deles, da casa e ainda manter o relacionamento sexual com o marido, que anda cada vez mais frio na cama. Mônica (Suzana Abranches) acaba de completar trinta anos e sonha em encontrar seu "príncipe encantado", para quem pretende entregar sua virgindade. Mayara (Adriane Galisteu) é uma cabeleireira casada com o ginecologista Issac (Daniel Boaventura), com quem tenta, sem sucesso, ter um filho. Dora (Carmen Frenzel) acaba de passar por um divórcio e só pensa em torrar a gorda pensão que seu marido lhe dá, principalmente se for ao lado de homens como seu advogado (vivido por Juan Alba). Por último, temos Graça (Cláudia Ventura), uma caipira, prima de Dora, que abandona o marido no altar ao descobrir que não o ama. Na cidade grande, ela arruma um trabalho numa loja de artigos eróticos e, com o conhecimento dos instrumentos, cria um brinquedo sexual que revoluciona o mercado. Gravando conversas sinceras dessas cinco mulheres, Murilo começa a entender melhor o que elas querem, aprendizagem que reflete em suas colunas. Ao invés de reclamações, a redação da revista Clímax começa a receber elogios das leitoras e Cassandra fica cada vez mais prestigiada no meio.

    Coisa de Mulher tem uma intenção clara: mostrar, de uma forma bem-humorada, o que querem as mulheres de hoje. O roteiro foi escrito pelas quatro garotas do Grelo Falante, grupo humorístico famoso no Rio de Janeiro que também protagoniza a produção. Elas são acompanhadas por Adriane Galisteu, apresentadora e modelo que ataca de atriz em sua primeira performance num longa-metragem. No meio de tantas mulheres histéricas, até que a loira não decepciona.

    As protagonistas deste filme são representantes da mulher brasileira moderna e é exatamente aí que ele derrapa. Extremamente caricaturais, elas abordam o feminismo de uma forma escrachada demais. Os personagens do filme são embasados em clichês, assim como as piadas, que não funcionariam nem numa mesa de bar cheia de pessoas alcoolizadas. O roteiro trabalha somente com piadas de duplo sentido, das mais infames possíveis. Dessa forma, a impressão que se tem é que as mulheres só pensam em sexo. O que seria natural, uma vez que o filme aborda o tema mostrando uma inversão de papéis na sociedade, mas, da forma como é feita em Coisa de Mulher, as mulheres, que não querem ser tratadas como meros objetos sexuais, tornam-se escravas da sua libido.

    Não que o Coisa de Mulher seja ofensivo ao sexo feminino. Na verdade, ele é tão escrachado e constrangedor que não ofende ninguém. O único filme queimado com esta produção é a de seus realizadores, que dão exemplos de como o cinema brasileiro também é capaz de produzir peças terríveis da mesma forma que é aclamado por outras produções, obviamente.

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