COISAS BELAS E SUJAS

COISAS BELAS E SUJAS

(Dirty Pretty Things)

2002 , 107 MIN.

14 anos

Gênero: Drama

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Stephen Frears

    Equipe técnica

    Roteiro: Steve Knight

    Produção: Robert Jones, Tracey Seaward

    Fotografia: Chris Menges

    Trilha Sonora: Christian Henson, Nathan Larson

    Estúdio: BBC, Celador Productions

    Elenco

    Audrey Tautou, Benedict Wong, Chiwetel Ejiofor, Israel Aduramo, Kriss Dosanjh, Sergi López, Sophie Okonedo, Zlatko Buric

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    No desembarque de um aeroporto, um homem negro pergunta a todos que passam por ele: "Táxi, senhor? Táxi?". Ele está em Londres, mas a cena é familiar em qualquer país de terceiro mundo. Brasil inclusive. Aos poucos, ficamos sabendo que o taxista é Okwe (Chiwetel Ejiofor, de Amistad), rapaz esforçado que dirige um carro de frota pelas ruas de Londres durante o dia e trabalha como recepcionista do decadente Baltic Hotel - apesar de ser médico formado! Suas pouquíssimas horas de sono são passadas (mal passadas) no sofá do apartamento da turca Senay (Audrey Tautou, de O Fabuloso Destino de Amélie Poulain), arrumadeira do Baltic, que divide o apê com Okwe, mas que se recusa a lhe emprestar uma cópia da chave. "O que as pessoas iriam dizer?", ela argumenta. Também aos poucos, novos personagens são acrescentados à trama: o porteiro russo Ivan (Zlatko Buric), a prostituta Juliette (Sophie Okonedo), o auxiliar de autópsias Guo Yi (Benedict Wong) e o dono do hotel, o espanhol Sneaky, (papel do ótimo Sergi López, de Uma Relação Pornográfica).

    A história começa de fato quando Okwe encontra nada menos que um coração humano entupindo um vaso sanitário do hotel onde trabalha. Mistério. Mas não o único: há um outro punhado de pequenas perguntas não respondidas que o excelente roteiro de Steve Knight propõe para o público. De onde vem Okwe? Por que ele vive de subempregos, sendo médico? O que ele faz para não dormir? Como Sneaky enriqueceu? Qual a história de Senay? E a de Ivan? Cada uma a seu tempo, algumas destas perguntas vão sendo respondidas. Outras nem tanto. E, enquanto isso, o diretor Stephen Frears, o mesmo de Os Imorais, Ligações Perigosas e Alta Fidelidade, vai dando outro banho de direção, cativando a platéia, desenrolando com cuidado cada linha que compõe seus ricos personagens.

    Coisas Belas e Sujas é muito mais do que a história de um - literalmente - coração perdido (ou achado?). O filme é a radiografia de uma Europa subterrânea, repleta de imigrantes ilegais vivendo de subempregos e crimes. Uma Europa que ninguém quer ver. "Nós não devemos ser vistos - diz Okwe -, nós apenas dirigimos os seus táxis...". Trata-se de um filme totalmente ambientado em Londres, que não mostra nenhum cartão postal da cidade. Neste sentido, Coisas Belas e Sujas é o contraponto de Albergue Espanhol. O trabalho de Frears é tristemente real, enquanto a comédia romântica franco-espanhola é assumidamente otimista. Um aposta na união européia. Outro não. Não por acaso, o filme de Frears começa e termina no aeroporto. Talvez a única saída.

    Humano e emocionante, Coisas Belas e Sujas ganhou cinco prêmios no British Independent Film Award, incluindo Melhor Filme. Merece ser visto.

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