COISAS QUE PERDEMOS PELO CAMINHO

COISAS QUE PERDEMOS PELO CAMINHO

(Things We Lost in the Fire)

2007 , 118 MIN.

14 anos

Gênero: Drama

Estréia: 04/01/2008

página inicial do filme
  • Ficha técnica

    Direção

    • Susanne Bier

    Equipe técnica

    Roteiro: Allan Loeb

    Produção: Sam Mendes

    Fotografia: Tom Stern

    Trilha Sonora: Johan Söderqvist

    Estúdio: DreamWorks SKG

    Elenco

    Alison Lohman, Benicio Del Toro, David Duchovny, Halle Berry, Sarah Dubrovsky

  • Crítica

    04/01/2008 00h00

    Muitos cineastas estrangeiros seguem seu caminho na indústria cinematográfica norte-americana. Como Walter Salles, para citar um exemplo local, quando dirigiu o remake Água Negra. Mas não são todos que conseguem manter intacto seu estilo ao assinar um trabalho de produção norte-americana. Felizmente, não é este o caso da dinamarquesa Susanne Bier que, depois de se destacar pela direção em longas como Corações Livres (2002), Brothers (2004) e Depois do Casamento (2006).

    As experiências cinematográficas bem-sucedidas da cineasta, recebidas com entusiasmo pelas platéias internacionais, a credenciaram para ser convidada por Sam Mendes (Beleza Americana) para dirigir o projeto Coisas que Perdemos Pelo Caminho. E, o mais importante: aqui, Susanne mostra ter a mesma liberdade e criatividade estilística de seus filmes anteriores. O que é raro em se tratando de Hollywood, já que os produtores costumam se preocupar mais com o resultado nas bilheterias do que com a arte em si. Por isso, muitos cineastas estrangeiros "perdem a mão" quando chegam na indústria cinematográfica norte-americana.

    Coisas que Perdemos Pelo Caminho mostra a relação desenvolvida entre a viúva Audrey (Halle Berry) e Jerry (Benicio Del Toro). Mãe de dois filhos pequenos, Audrey tinha uma vida familiar feliz ao lado do marido Brian (David Duchovny), mas um crime é responsável pela tragédia na vida da família Burke. Jerry, o melhor amigo de Brian, renegado de sua vida cotidiana principalmente pelo problema com drogas, acaba sendo aceito novamente por Audrey após a tragédia que abala a vida de ambos. Neste quadro, os protagonistas buscam muletas que possam superar suas tragédias pessoais. Jerry tem as drogas, as quais tenta abandonar com a ajuda de Audrey; ela, por sua vez, encontra no núcleo familiar uma forma de superar o trauma ocasionado pelo assassinato do marido. O núcleo central do longa é formado por um homem e uma mulher. A escolha do filme, de se distanciar do romantismo e trabalhar melhor os laços de amizade desenvolvidos nessa relação, é digna, mostrando-se uma das características que mantém Coisas que Perdemos Pelo Caminho longe dos excessos hollywoodianos.

    As câmeras de Susanne acompanham de perto os personagens de Coisas que Perdemos Pelo Caminho. A dinamarquesa não tem medo de usar closes, destacando detalhes do ambiente e do rosto dos atores na composição das cenas. Desta forma, ela cria uma linha tênue entre o espectador e a história que pretende contar. O roteiro original, escrito pelo estreante Allan Loeb, trata de temas recorrentes nos filmes anteriores da cineasta: a perda, a fragilidade das relações humanas e a forma como as pessoas são capazes de lidar com seus sentimentos e como as situações trágicas são recebidas por seus personagens. Sempre vivendo nos limites de suas emoções, mostrada de forma tão sincera e crua pela diretora.

    Susanne mostra-se bastante à vontade ao trabalhar nesse terreno já conhecido e, apoiada por atuações excelentes - com destaque para Benicio Del Toro, que se entrega totalmente a esse personagem tão cheio de nuances e intensidade -, realiza uma louvável estréia no cinema norte-americano, que não deve desagradar aos admiradores dos trabalhos anteriores assinados pela diretora.

Deixe seu comentário
comments powered by Disqus