COLEGAS

COLEGAS

(Colegas)

2012 , 103 MIN.

10 anos

Gênero: Comédia

Estréia: 01/03/2013

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Marcelo Galvão

    Equipe técnica

    Roteiro: Marcelo Galvão, Ricardo Barreto

    Produção: Marçal Souza, Marcelo Galvão

    Fotografia: Rodrigo Tavares

    Estúdio: Gatacine

    Distribuidora: Europa Filmes

    Elenco

    Alex Sander, Alexandre Tigano, Amélia Bittencourt, Anna Ludmilla, Ariel Goldenberg, Breno Viola, Carlos Miola, Christiano Cochrane, Daniele Valente, Deto Montenegro, Elder Torres, Giulia de Souza Merigo, Juliana Didone, Leonardo Miggiorin, Lima Duarte, MarceloGalvão, Marco Luque, Maytê Piragibe, Monaliza Marchi, Nill Marcondes, Oswaldo Lot, Pedro Urizzi, Rita Pokk, Roberto Birindelli, Rui Unas, Simone Teider, Theo Werneck

  • Crítica

    28/02/2013 15h33

    Recheado de referências cinematográficas, Colegas traz uma abordagem envolvente para questionar as diferenças impostas pela sociedade. O fato de ter como protagonistas três portadores de Síndrome de Down, somado à maçante campanha Vem, Sean Penn, pode passar a impressão errônea de um longa politicamente correto envolto por puro marketing. Em relação à publicidade, talvez a premissa seja verdadeira. Mas em contrapartida à suposta benevolência, o filme do diretor Marcelo Galvão (Bellini e o Demônio) segue outro caminho.

    Stalone (Ariel Goldenberg), Aninha (Rita Pokk) e Márcio (Breno Viola) fogem do Instituto onde vivem inspirados por filmes da videoteca, especialmente Thelma & Louise. Para isso, roubam o carro de Arlindo, personagem de Lima Duarte, que narra a estória de forma afetada e infantil. O tom justifica-se apenas no final, mas destoa totalmente da proposta de uma obra sobre diferenças e não uma peça para promover a aceitação.

    O trio principal de atores dá vida aos personagens mesmo diante de suas limitações. Para se ter noção de quão complexa pode ser a escolha de elenco em casos semelhantes, Ben Lewin, diretor de As Sessões (filme sobre um escritor com paralisia muscular), enviou seu roteiro para diversas entidades de apoio a deficientes nos Estados Unidos. Após longa busca, não encontrou nenhum candidato com as características necessárias para o papel interpretado por John Hawks. No caso de Colegas, os protagonistas e vários coadjuvantes com Síndrome de Down deram conta do recado.

    Outro grande acerto do longa foi não se prender a uma linguagem polida. Quando os agentes Portuga e Souza passam a trabalhar no caso, após serem afastados de uma área muito mais violenta da polícia, o primeiro chama os jovens de “retardados” sem ser punido por isso. A linguagem tosca faz parte de seu papel. Ironicamente, resta-lhe apenas o dedo do meio em uma das mãos.

    Ao interrogar outros portadores de Down, os dois se deparam com caretas, ouvem suposições absurdas, delírios. A sequência provoca risos e desmistifica a ideia de que uma pessoa com deficiência esteja em um patamar intocável e seja uma heresia retratá-la com humor.

    O ídolo do trio em fuga é Raul Seixas; sendo assim, várias músicas da trilha sonora são do "maluco beleza". Essa admiração se encaixa muito bem à narrativa pelas ideias associadas ao roqueiro. A “loucura” está em todo lugar, como mostra Souza ao conversar com o espelho, incorporando um típico personagem de trama policial.

    As histórias de abandono de cada um dos protagonistas comovem e geram fantasias belas e coloridas. A cena em que Márcio pega um balão para encontrar os pais na lua é extremamente lúdica. E as sequências de assaltos e situações inusitadas na busca por desejos simples provocam diálogos engraçados. Felizmente, o filme trata a deficiência de forma leve, alternando drama a um humor autodepreciativo benéfico a qualquer ser humano.

    Apesar de muitas explicações e clichês, como a retrospectiva em preto e branco totalmente dispensável de um dos personagens, o desfecho aberto à imaginação reitera a ideia de uma trama calcada na fantasia. Tirando o foco de uma condição específica e elevando a perspectiva para um fator naturalmente humano – a diferença –, Colegas conseguiu desenvolver uma proposta criativa dentro do cinema nacional.

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