COMO ESQUECER

COMO ESQUECER

(Como Esquecer)

2010 , 98 MIN.

Gênero: Drama

Estréia: 15/10/2010

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Malu De Martino

    Equipe técnica

    Roteiro: José Carvalho

    Produção: Elisa Tolomelli

    Fotografia: Heloísa Passos

    Trilha Sonora: Bia Paes Leme

    Estúdio: EH! Filmes

    Distribuidora: Europa Filmes

    Elenco

    Ana Paula Arósio, Arieta Corrêa, Bianca Comparato, Murilo Rosa, Natália Lage, Pierre Baitelli

  • Crítica

    14/10/2010 14h37

    O primeiro a destacar no drama Como Esquecer é o elenco principal. Ana Paula Arosio, que explodiu na televisão interpretando uma prostituta avassaladora em Hilda Furacão, é o oposto do que costumamos ver: introspectiva, de beleza escondida, mais triste do que feliz, mais feia do que bela. Ela é Julia, professora universitária que foi abandonada por sua parceira de longa data.

    Já Murilo Rosa, presença um pouco mais constante no cinema, vive Hugo, personagem muito diferente de seus tipos arrasa quarteirão da TV. Quem completa o time é Natália Lage, a alternativa Lisa, também interessante, porém personagem-escada. Imagino que Como Esquecer tenha sido uma experiência rica para Arosio e Rosa, atores segmentados a papeis parecidos na televisão. O filme certamente deu a eles oxigênio na profissão.

    A produção com uma protagonista lésbica, algo raríssimo no cinema brasileiro, tem um argumento inteligente, algo que se deve também ao livro no qual é baseado, Como Esquecer: Anotações Quase Inglesas, de Myriam Campelo: enquanto muitos filmes apresentam um personagem que perde alguém e aprende a se recuperar quando uma nova pessoa surge em sua vida, Como Esquecer decide falar desse intervalo entre a tragédia e o que acontece com um novo outrem.

    Nesse caminho, o longa-metragem de Malu de Martino vive uma relação de tapas e beijos com a dramaturgia. Ora o texto do livro no qual se baseia consegue ser absorvido pelo filme, ora o ruído entre teatro X literatura X cinema é tão grande que só falta o contrarregra desmontar o cenário atrás dos personagens para nos mostrar que se trata de uma peça de teatro, não de cinema.

    Sim, é complicado transpor um livro narrado em primeira pessoa para um filme, implicando sérias decisões tanto de roteiro quanto de direção. Mas no caso de Como Esquecer, a transposição das linguagens tem atritos e ainda cria um engessamento na interação cênica: Personagem A fala e dá a deixa para Personagem B. O Personagem A aguarda até chegar a sua vez de responder, e assim vai. Fica aquela sensação de que a direção gera um filme de desenvolvimento tenso e teso, que fecha a porta para qualquer improviso.

    Justamente por esse engessamento e pela narração contínua, em off, da personagem de Ana Paula Arosio, em momentos o filme deixa de ser uma reflexão íntimista sobre a dor da perda e se torna um guia de auto-ajuda de “como sair da lama”. Claro que não era intenção de ninguém fazer um filme pocket book, mas Como Esquecer tem seus momentos rasos.

    Em compensação, há duas boas surpresas no filme, personagens que vem de fora e abalam o trio de protagonistas: a aluna Carmen Lygia (Bianca Comparato) e a prima de Lisa, Helena (Arieta Correa). Quando essas duas entram no jogo, o filme fica bem mais interessante, justamente porque carregam o imprevisível em suas trajetórias. Com as duas não sabemos para onde as trajetórias vão se encaminhar: elas dão aquela saudável sensação de vida no cinema.

    Para quem já esteve em um relacionamento longo, com amor e afeto, Como Esquecer coloca uma questão séria: justamente como esquecer? Apagar o passado? Tem momentos que compartilhamos dessas inquietações, em outros dá vontade de pedir para o filme deixar de ser didático.

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