CONSTANTINE

CONSTANTINE

(Constantine)

2003 , 121 MIN.

14 anos

Gênero: Ação

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Francis Lawrence

    Equipe técnica

    Roteiro: Frank A. Capello, Kevin Brodbin, Mark Bomback

    Produção: Akiva Goldsman, Benjamin Melniker, Erwin Stoff, Lauren Shuler-Donner, Lorenzo di Bonaventura, Michael E. Uslan

    Fotografia: Philippe Rousselot

    Trilha Sonora: Lisa Gerrard, Patrick Cassidy

    Estúdio: Warner Bros

    Elenco

    Gavin Rossdale, Keanu Reeves, Max Baker, Rachel Weisz, Shia LaBeouf, Tilda Swinton

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Se você vê videoclipes, com certeza já assistiu a algum dirigido por Francis Lawrence, que faz sua estréia na condução de um longa-metragem em Constantine. De artistas pop como Britney Spears e Destiny's Child aos roqueiros como OK Go e Garbage, muita gente da indústria fonográfica norte-americana já requisitou os trabalhos de Lawrence, que fez mais de 70 vídeos musicais. A estética de videoclipe que aprendeu (e bem) em mais de dez anos nessa área ele aplica em seu primeiro filme. Com ousadia e carregando nos efeitos especiais, traz ao mundo cinematográfico as aventuras de John Constantine, o protagonista dos quadrinhos Hellblazer, criados por Allan Moore, Jamie Delano e Garth Ennis.

    John Constantine (Keanu Reeves) é um cara cool. Sempre com um cigarrinho na mão, vaga por aí em um táxi conduzido pelo fiel ajudante Chaz (Shia Labeouf) em busca de uma alma para salvar. Estudioso do Ocultismo, este anti-herói é especializado em exorcismos. Quando Constantine expulsa um mensageiro do Inferno do corpo de uma garotinha, descobre que a criatura a possuiu querendo entrar no nosso mundo. O problema é que, como explica o protagonista, existe um acordo entre Deus e o Diabo. Na verdade é uma aposta pela alma de todos os humanos. Eles não podem interferir diretamente, nem podem mandar demônios ou anjos para a Terra, mas podem usar semi-anjos e semi-demônios para nos convencer. O dom de Constantine é ver esses enviados que representam o bem e o mal absoluto.

    Ele afunda ainda mais nessa aposta quando é procurado por Angela (Rachel Weisz), uma detetive com dons premonitórios reprimidos. Ela acaba de perder a irmã gêmea, Isabel, que, perturbada mentalmente, comete suicídio. A policial não acredita que a irmã, católica fervorosa, tenha sido capaz de se matar - afinal, o suicídio é pecado mortal, capaz de condenar qualquer alma ao Inferno. Em uma visão, Angela chega ao nome do nosso herói e o procura para saber mais. Mal sabe ela que Constantine é capaz de ir ao Inferno, e é lá que ele contra Isabel. Mas agora é tarde demais para a policial sair da trama, uma vez que ela pode ser a chave para que os demônios subam à Terra.

    E não é só isso: enquanto os bandidos tentam violar o pacto, o próprio Constantine deve lidar com sua doença. Fumante há décadas, daqueles que saem no meio do filme para um cigarro, ele está à beira da morte por conta de um câncer. Negocia a salvação com o anjo Gabriel (Tilda Swinton), que fecha as portas do Céu porque, apesar dele costumar salvar corpos de demônios, tentou se matar e para isso não há perdão.

    Constantine é riquíssimo em efeitos especiais que, aliados ao ótimo jogo de câmeras conduzido por Lawrence, faz deste filme um espetáculo cinematográfico. Os personagens que rodeiam o protagonista são tão ricos quanto a "mitologia" que envolve o filme. O melhor do filme é que não há intenção nenhuma de se fazer uma obra politicamente correta, uma vez que estamos em terreno frágil, o da religião. Gabriel não pensa duas vezes antes de dizer que Constantine está ferrado. Ele, por sua vez, mostra o dedo do meio ao Diabo sem pestanejar. Esse descompromisso com o certo e o errado é o maior trunfo de Constantine e esse clima foi trazido dos quadrinhos. O protagonista transita entre o bem e o mal sem distinções de tratamento, o que é delicioso de se ver em um blockbuster.

    Feito sob medida aos olhos acostumados a videoclipes - público em potencial deste longa - , Constantine só peca em uma coisa: Keanu Reeves. Sim, ele apresenta o vigor físico necessário ao papel, mas exagerou na dose de cool, tornando Constantine um cara frio demais. Suas piadinhas irônicas quase não têm graça simplesmente porque a atuação de Reeves é robótica demais. Imagine o Neo da trilogia Matrix fumando e derretendo demônios com água benta e você terá uma idéia do que estou dizendo. Além de não ser nada parecido com o Constantine dos quadrinhos - cujas feições foram baseadas nas do cantor Sting -, o ator carrega esse "estigma Neo" do qual não consegue se separar em Constantine.

    Sorte a dele que os atores em volta conseguem fazer algo para salvar esta área do filme. A inglesa Tilda Swinton (Adaptação) está ótima como o semi-anjo andrógeno Gabriel. Mesmo um pouco exagerado na caracterização, Peter Stormare (Minority Report - A Nova Lei) segura a responsabilidade de ser um Diabo moderno, com tatuagens e ações em indústrias tabagistas. Até o (belo) Gavin Rossdale - mais conhecido como vocalista da banda de rock-and-roll Bush e marido de Gwen Stefani, que já teve um video dirigido por Lawrence, veja só - convence como o afetado vilão Balthazar.

    Em suma, na balança dos erros e acertos, até que Constantine se sai bem. Com tudo para levar jovens ao cinema, também funciona como um ótimo convite para que sejam apresentados às HQs de Hellblazer que, lançados nos EUA pela Vertigo (selo adulto da DC Comics), ganharam versão brasileira.

    Saiba mais sobre Hellblazer.

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