CONSTRUÇÃO

CONSTRUÇÃO

(Construção)

2012 , 70 MIN.

Gênero: Documentário

Estréia: 23/11/2012

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Carolina Sá

    Equipe técnica

    Roteiro: Carolina Sá, Frederico Coelho

    Produção: Carolina Sá, Gabriela Figueiredo, Patrícia Pillar, Walter Salles

    Fotografia: Carolina Sá, David Pacheco, Marcos de Vasconcellos

    Trilha Sonora: René Ferrer

    Estúdio: Doralice Produções, Samba Filmes

    Distribuidora: Espaço Filmes

  • Crítica

    21/11/2012 20h01

    Este ano, durante a cobertura da 45ª edição do Festival de Brasília, questionei a relevância do longa Otto, de Cao Guimarães, por tratar-se de um documentário com essência de vídeo familiar: com muito a dizer para o autor, sua mulher e seu filho. E só. Construção, longa de estreia de Carolina Sá, mesmo não sendo tão individualista e egocêntrico como Otto, não foge à receita: um filme certamente indispensável para a autora e sua filha, mas descartável para o público.

    Carolina admite isso no próprio material de divulgação do longa: “Queria fazer um filme sobre meu pai, como maneira de conhecê-lo, já que ele deixou para nós muito arquivo filmado, gravado e escrito”. E o arquiteto Marcos de Vasconcellos que surge na fita parece ter sido de fato uma pessoa muito interessante e culta. Assim como é cativante também a filha da diretora, Branca, uma vívida menina de três anos que é mostrada na tela numa viagem a Cuba para conhecer o pai.

    Tudo muito bacana, tudo muito legal, mas tudo muito pessoal também. Não há em Construção o que vemos no ótimo documentário Elena (também exibido em Brasília e ainda sem data de estreia prevista), de Petra Costa, que, mesmo tratando de tema íntimo da vida da diretora, busca o diálogo com o público tornando-se um compartilhamento de vivência pessoal e não uma obra autocentrada como o filme de Carolina.

    Em Construção a diretora buscou conhecer melhor seu pai e, sinceramente, espero que tenha alcançado seu propósito. Mas e o público? O que há neste documentário que valha a pena levá-lo ao cinema e não deixá-lo repousando na sala de estar da autora para sessões familiares? Nada a meu ver.

    Nem mesmo as reflexões sobre arquitetura e vida urbana, sustentadas pelas percepções perspicazes do pai da cineasta, são capazes dar ao filme uma aura de interesse coletivo. E se é para meia dúzia de pessoas verem, pode ser filme, mas não é cinema.

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