CONTOS PROIBIDOS DO MARQUÊS DE SADE

CONTOS PROIBIDOS DO MARQUÊS DE SADE

(Quills)

2000 , 123 MIN.

16 anos

Gênero: Drama

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Philip Kaufman

    Equipe técnica

    Roteiro: Doug Wright

    Produção: Julia Chasman, Nick Wechsler, Peter Kaufman

    Fotografia: Rogier Stoffers

    Trilha Sonora: Stephen Warbeck

    Elenco

    Billie Whitelaw, Geoffrey Rush, Joaquin Phoenix, Kate Winslet, Michael Caine, Patrick Malahide

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Não se deixe enganar pelo título com jeitão de pornochanchada nacional dos anos 70. Sim, Contos Proibidos do Marquês de Sade fala sobre os escritos pornográficos do famoso marquês escritor, mas seus principais atrativos não estão no suposto erotismo que o título brasileiro possa sugerir. Muito mais que sexo, trata-se de um filme sobre obsessões.

    Baseado em sua própria peça de teatro, o roteirista e dramaturgo Doug Wright enfoca a trajetória do Marquês de Sade (o ótimo Geoffrey Rush, de Elizabeth e Shakespeare Apaixonado) já em seus últimos anos de vida, encarcerado num sanatório francês. Encarcerado, mas nunca isolado. O obcecado e produtivo escritor preenche páginas e páginas com a mais refinada literatura pornográfica, que graças à ajuda da dedicada camareira Madeleine (Kate Winslet, a estrela de Titanic), conseguem chegar às mãos de um editor, e daí direto para o prelo. Publicados os contos, eles imediatamente conquistam a ira da Igreja e a aprovação do povo. É neste contexto que o Dr. Royer (Michael Caine), um médico especializado em torturas, é enviado ao sanatório com a missão de impedir que o Marquês continue espalhando sua literatura. Porém, aos poucos ele vai perceber que não é tirando as penas nem os papéis de um escritor obstinado que se consegue secar a veia literária de um artista. Nem quebrando seus dedos, nem cortando sua língua.

    O filme enaltece a liberdade de criação e de expressão artística, seja ela qual for. Mesmo tendo como ponto de partida uma peça de teatro, ele é ágil, visualmente rico e – por assim dizer – pouco teatral. Traz afiadíssimos diálogos de duplo sentido (vários deles de difícil tradução), muita malícia e uma liberdade de expressão raramente vista no cinema americano. Aliás, o filme nem parece ter sido realizado no conservador mercado dos Estados Unidos, assemelhando-se muito mais a um produto inglês. Mas seu estilo não poderia mesmo ser diferente. Afinal, uma obra sobre a liberdade de expressão jamais poderia ter uma narrativa travada pela auto-censura.

    O diretor Phillip Kauffman filma muito pouco, tendo realizado apenas 11 longas em seus 35 anos de carreira, mas quando o faz, acerta a mão. São dele, por exemplo, filmes antológicos como A Insustentável Leveza do Ser e Os Eleitos. Indicado para dois prêmios globo de Ouro (roteiro e ator para Geoffrey Rush), Contos Proibidos do Marquês de Sade deve marcar presença na próxima festa do Oscar, mas sua temática adulta espantou o infantilizado público norte-americano: o filme estreou em apenas nove cinemas nos Estados Unidos e faturou a irrisória quantia de pouco mais de US$ 3 milhões. Prova, mais uma vez, que bilheteria e qualidade nem sempre andam juntas.

    O elenco ainda tem a presença de Joaquim Phoenix (o Imperador Commodus de Gladiador), no ótimo papel do Padre Coulmier. E um último toque: o título original – Quills – se refere às antigas penas para escrever, um dos objetos mais caros e importantes à obsessão do Marquês.



    4 de janeiro de 2001
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    Celso Sabadin é jornalista especializado em cinema desde 1980. Atualmente é crítico de cinema da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão e do Canal 21. Às sextas-feiras é colunista do Cineclick. [email protected]

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