COPACABANA (2001)

COPACABANA (2001)

(Copacabana)

2001 , 90 MIN.

12 anos

Gênero: Comédia

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Carla Camurati

    Equipe técnica

    Roteiro: Carla Camurati, Melanie Dimantas, Yoya Würsh

    Produção: Carla Camurati

    Fotografia: José Tadeu Ribeiro

    Elenco

    Ana Beatriz Nogueira, Camila Amado, Ida Gomes, Ilka Soares, Joanna Fomm, Laura Cardoso, Louise Cardoso, Luís de Lima, Marco Nanini, Míriam Pires, Pietro Mario, Renata Fronzi, Rogéria, Walderez de Barros

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Um passeio romântico e nostálgico pelo século 20, pelo calçadão de Copacabana. Assim pode ser definido o novo filme de Carla Camurati que leva justamente o nome de um dos bairros mais famosos do País: Copacabana (não confundir com o homônimo estrelado por Groucho Marx e Carmen Miranda, em 1947).

    De maneira poética e extremamente nostálgica, Carla convida o espectador para uma viagem que mescla sonhos, lembranças, ficção e realidade. Tudo é narrado sob o ponto de vista de Alberto (Marco Nanini, ótimo), um fotógrafo que passa sua vida a limpo no dia de seu nonagésimo aniversário. A idade avançada faz com que ele misture o passado com o presente. É exatamente sob essa ótica embaçada pelo tempo que o roteiro conduz a platéia para momentos de lirismo, humor, paixão e gozação.

    Não é por acaso que o personagem central é um fotógrafo. O filme é como um antigo álbum de retratos, folheado em ordem aleatória. Alberto relembra bailes de antigos carnavais, a inauguração do mítico Hotel Copacabana Palace (onde o pai da diretora trabalhou como confeiteiro), seu primeiro ato sexual (a única cena em que a direção escorrega no mau gosto), grandes amores, farras, amigos. Porém, ao contrário do que se poderia supor, Copacabana não é um filme amargo. As lembranças de Alberto saltam da tela de maneira vigorosa, alternando alegrias e tristezas e felizmente sem escorregar no desgastado discurso de que “antigamente era melhor”. As reflexões sobre a terceira idade não vêm recheadas de remorsos ou rancores, mas sim de uma saudável ironia que proporciona ao público pequenos sorrisos e grandes pensamentos.

    Copacabana pode não ser tão arrebatador quanto Carlota Joaquina. Mesmo porque não se pode exigir de Carla Camurati que ela realize um “renascimento” do cinema brasileiro a cada novo filme seu. Mas é um trabalho maduro, sensível, muito bem interpretado, digno do prestígio da cineasta e da qualidade alcançada pelo atual estágio do cinema brasileiro. Merece ser conferido, de coração aberto.

    Um único senão: repetir o “rap” de abertura por mais duas vezes, durante o filme, torna-se cansativo para os ouvidos. Um pequeno pecado diante de um grande filme.

    2 de julho de 2001
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    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rede Bandeirantes de Televisão, Canal 21, Band News e Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. [email protected]

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