CORAÇÃO DE TINTA

CORAÇÃO DE TINTA

(Inkheart)

2008 , 105 MIN.

10 anos

Gênero: Fantasia

Estréia: 25/12/2008

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Iain Softley

    Equipe técnica

    Roteiro: David Lindsay-Abaire

    Produção: Cornelia Funke, Diana Pokorny, Iain Softley, Ileen Maisel

    Fotografia: Roger Pratt

    Trilha Sonora: Javier Navarrete

    Elenco

    Andy Serkis, Brendan Fraser, Helen Mirren, Paul Bettany

  • Crítica

    25/12/2008 00h00

    A primeira cena de Coração de Tinta já dá o tom. Um narrador em off explica que existe uma categoria muito especial de pessoas - os chamados "Língua Encantada" - que têm o poder de materializar as histórias que contam em voz alta. Depois desta explicação, o personagem Mortimer (Brendan Fraser, de Viagem ao Centro da Terra) começa a ler a fábula de Chapeuzinho Vermelho para a filha. Logo em seguida, um capuz vermelho se materializa ao vento, vindo do nada, e pousa caprichosamente à janela do protagonista.

    A pergunta que não quer calar: por que raios alguém teve a infeliz idéia de começar a cena com um narrador em off explicando o que iria acontecer? Por que não deixar para o público o prazer da descoberta? Será que alguém (um produtor, talvez?) achou que a platéia não iria entender o enredo, e resolveu colocar uma voz misteriosa para que tudo ficasse muito bem explicadinho?

    Seja qual for a resposta, o resultado é que Coração de Tinta é um filme que repete, durante toda a projeção, o mesmo erro da cena inicial. Ou seja, faz questão de deixar tudo explicadinho, verbaliza demais, subestima a capacidade de abstração do público, e conseqüentemente elimina aquele que deveria ser o seu maior trunfo: a magia. Só para dar um exemplo, a informação de que para cada personagem que "sai" do livro deve corresponder a um humano que "entra" na história é falada durante o filme umas cinco ou seis vezes.

    De qualquer maneira, no quesito "verbalização demais, cinema de menos", o filme não chega a ser tão sonolento quanto O Senhor dos Anéis (pronto, falei, agora agüenta). A trama até que é boa, e foi baseada no livro da escritora Cornelia Funk, a mesma que escreveu os livros que originou os filmes O Pequeno Vampiro e O Senhor dos Ladrões. Tudo começa quando o pacato Mortimer descobre ter o poder de trazer personagens de livros à vida real. Há um corte de tempo e logo se perceberá que tal poder acabou por separar a sua própria família, que agora precisa ser reunida numa saga através do mundo da Magia.

    Faltou, porém, mais sutileza ao roteiro de David Lindsay-Abaire (que deverá escrever o próximo Homem-Aranha) e mais sensibilidade ao diretor inglês Iain Softley, de Asas do Amor.

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