CORAÇÃO VAGABUNDO

CORAÇÃO VAGABUNDO

(Coração Vagabundo)

2008 , 60 MIN.

10 anos

Gênero: Documentário

Estréia: 24/07/2009

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Fernando Grostein Andrade

    Equipe técnica

    Roteiro: Giuliano Cedroni

    Produção: Clovis Mello, José Ortalli, Patrick Siaretta, Paula Lavigne, Raul Dória

    Fotografia: Fernando Grostein Andrade

    Trilha Sonora: Guilherme Wisnik

    Estúdio: Natasha Filmes

    Elenco

    Caetano Veloso, David Byrne, Michelangelo Antonioni, Pedro Almodóvar

  • Crítica

    24/07/2009 00h00

    Desde os tempos de Santo Amaro da Putrificação, Caetano Veloso estabelece uma relação próxima com o cinema. De cinéfilo a crítico, aos 18 anos, do baiano Diário de Notícias, passando por interpretações de suas músicas em filmes, como Fale Com Ela, de Pedro Almodóvar. Sem contar a paixão por Nino Rotta e a composição Giulietta Masina, escrita em homenagem à atriz e esposa de Federico Fellini.

    Caetano já dirigiu um longa, Cinema Falado, de 1986, no qual há mais falas do que imagens, divagando sobre temas mil. Caetano também já foi retratado por um documentário, Os Doces Bárbaros, de Tom Job Azulay, que focou a reunião do grupo homônimo, formado também por Gil, Gal e Bethânia.

    Mas Coração Vagabundo é o primeiro filme a apresentar única e exclusivamente a pessoa de Caetano Veloso. Não é a grandeza do artista que transcendeu classificações de gêneros musicais, mas a intimidade do homem. A primeira cena, que revela parte do corpo nu do músico ao fazer a barba, é introdução ao espectador do que o diretor Fernando Grostein Andrade irá apresentar.

    Não há roteiro prévio. Andrade apenas acompanha o músico pelas ruas de Nova Iorque e do Japão, durante a turnê de A Foreing Sound, álbum que reuniu standards da música americana, como Feelings e Love for Sale. Câmera na mão, passeio pelas ruas e espaço para Caetano dissertar. Como ele nem sempre diz coisas interessantes e, volta e meia, solta as famosas "caetanices" (frases que ligam o nada à coisa nenhuma), Coração Vagabundo perde sua capacidade de seduzir o público.

    O Caetano-homem expõe-se abertamente em dois momentos. O primeiro é dramático, no qual a iminente separação de sua mulher Paula Lavigne é delineada por um olhar fugidio. O segundo é comovente: em visita a um templo no Japão, um monge explica que gosta muito de suas canções, em especial Coração Vagabundo, que dá título ao filme.

    A opção de Fernando Grostein Andrade, jovem publicitário que estréia na direção de um longa-metragem, foi aproximar-se da intimidade do músico. Talvez porque Caetano não precise de um documentário para validar sua qualidade artística, ou porque dimensionar as várias análises do trabalho de sua obra seja uma tarefa mais complexa que segui-lo e deixar espaço aberto para seus devaneios.

    De qualquer forma, Coração Vagabundo privilegia a intimidade para colocar em segundo plano a produção musical. Não está sob discussão a habilidade camaleônica de Caetano, que da bossa - gênero da música-título do filme - chega a clássicos da música romântica norte-americana. Para os fãs interessados em curiosidades da vida do músico, um prato cheio. Para espectadores que preferem uma versão mais complexa do Caetano-artista, o filme traz pouco. Muito pouco.

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