CORAÇÕES PERDIDOS

CORAÇÕES PERDIDOS

(Welcome to the Riley's)

2010 , 111 MIN.

16 anos

Gênero: Drama

Estréia: 08/07/2011

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Jake Scott

    Equipe técnica

    Roteiro: Ken Hixon

    Produção: Giovanni Agnelli, Michael Costigan, Scott Bloom

    Fotografia: Christopher Soos

    Trilha Sonora: Marc Streitenfeld

    Estúdio: Argonaut Pictures, Scott Free Productions

    Distribuidora: Imagem Filmes

    Elenco

    DavidJensen, Eisa Davis, James Gandolfini, Kathy Lamkin, Kristen Stewart, Lance E. Nichols, Melissa Leo, RussellSteinberg

  • Crítica

    04/07/2011 18h35

    O que une as trajetórias aparentemente desconexas de Corações Perdidos é a busca de uma motivação na vida. Cada qual por um motivo diferente, os três protagonistas deste filme são coadjuvantes de sua própria existência. Doug (James Gandolfini) está triste porque perdeu a amante; Lois (Melissa Leo), sua esposa, embarcou numa depressão pela perda da filha; a jovem Mallory (Kristen Stewart), stripper de uma boate de segunda linha, simplesmente não tem vida.

    É aí que a fome encontra a vontade de comer – sem trocadilhos, por favor. Corações Perdidos só existe pelo encontro dessas três pessoas. Dali sai uma fábula moralista, daquelas que fazem o espectador se sentir melhor. Na mesma linha dos recentes Em Busca de Uma Nova Chance e Reencontrando a Felicidade – tanto que nos pôsteres em português dos três filmes, lançados por distribuidoras diferentes, todos começam com a frase “Às vezes, ...”.

    Em todos eles, a mulher sofre mais para digerir a perda da filha, enquanto o homem a trata como um capítulo do passado. O amor permanece no casal, mas aos poucos – e quase imperceptivelmente – se afastam. Ele geralmente vai procurar uma amante, enquanto ela se tranca em casa se penitenciando por um luto que não lhe cabe – clichê machista de que o homem é frio, a mulher sentimentalista. É necessário que o acaso coloque em seus destinos alguém de fora para abalar os personagens e ensiná-los que a vida continua. Não com a mesma alegria de antes, mas continua.

    O que coloca Corações Perdidos um pouco à frente da média é o caráter insólito da personagem exterior a esse universo: uma prostituta. Imagine só um homem de meia idade, pai de família respeitado num subúrbio de Indiana se afeiçoando por uma dançarina em Nova Orleans que ocasionalmente se prostitui? Desse encontro de aparentes opostos (personagens que a sociedade olha com veneração ou aversão) surgem as cenas mais interessantes: ele buscando uma nova filha, ela aceitando um pai que nunca teve – pena que o filme não abre espaço para um desenvolvimento mais dúbio e menos linear. Paralelamente, e novamente buscando o encontro, a esposa que tenta sair do buraco.

    Filme correto, e nada mais, que respeita a dor dos personagens e não abusa de sentimentalismos baratos. Às vezes seco, por outras terno. Filmado corretamente, com as devidas supressões de tempo para não estender cenas desnecessárias, e dirigido sem sobressaltos por Jake Scott, o filho de Ridley Scott que volta ao longa-metragem após onze anos.

    Melissa Leo, eficiente como sempre, leva sua personagem no desenvolvimento máximo. James Gandolfini, o Mr. Tony Soprano, tem carisma e o biótipo perfeito para encarnar o tipo paizão e convencer o espectador. No caso de Kristen Stewart, alguém precisa falar para ela que não dá para pronunciar os diálogos de todos os filmes que faz como se estivesse na pele de Bella de Crepúsculo. Senão, será sempre uma menina tímida que fala para dentro e tem rompantes raivosos.

    Corações Perdidos é correto: não tem pretensões de ser o melhor filme do ano, mas nem por isso ofende um espectador que busque algo mais. Mesmo que esse plus se encerre na sala de cinema.

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